Frederico Schmidt – De Olho no Mercado

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SE POR AQUI É FERIADO, NOS EUA O MOVIMENTO PODERÁ SER AGITADO

*Frederico Schmidt

                O mercado iniciou esta semana com movimentos mais suaves, à exceção do trigo, que entre preocupações pela falta de chuva e realização de lucros por parte dos vendidos, apresentou algum movimento de alta mais forte. Essa aparente falta de volatilidade no mercado se explica pelo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) que será divulgado nesta quarta-feira (12).

As expectativas do mercado com o relatório são grandes, visto que com base nos relatórios mais recentes de colheita de milho e soja, as produtividades médias apontam para bons ajustes nos números da safra norte-americana. Para o milho, analistas esperam que o USDA reduza sua projeção para a safra. Na média de um levantamento feito pela Reuters, analistas estimam uma produtividade de 173,5 bushels por acre, abaixo dos 174,4 bushels por acre estimados pelo USDA em setembro. Já par a soja a expectativa é oposta. Devido a situações climáticas específicas, a fase final de desenvolvimento e de colheita da soja tem sido amplamente favorecida e com isso o mercado projeta números acima da estimativa do mês anterior, que já era recorde, de 50,6 bushels por acre.

Trazendo para números mais familiares, se a produtividade for acima da expectativa anterior, que já era de 57,3 sacas por hectare, estamos falando de uma produção total esperada da ordem de 116 milhões de toneladas, muito acima do projetado meses atrás.

Porém em grande parte esse volume todo de soja e a possível redução na safra de milho, como vimos acima, já são esperados pelo mercado. O que poderá causar forte volatilidade nos preços é o quão dentro ou fora das expectativas virá o número.

Essa mudança nos números praticamente finais da produção norte-americana impactará diretamente nos números de estoques finais, podendo dar assim algum alívio diante do bom fluxo de exportações e principalmente no caso da soja, poderá fazer frente à boa demanda vista até aqui, já que o USDA também deverá ajustar números de exportação devido ao bom apetite chinês pela oleaginosa nessa temporada.

A colheita nos EUA por hora segue dentro da normalidade. Se comparada com anos anteriores até está um pouco mais lenta que a média, mas nada que cause preocupação. A qualidade das lavouras continua muito boa, uma das melhores da história. Apenas para se ter ideia, a média dos últimos cinco anos das lavouras de soja em condições boas e excelentes nessa época da safra é de 64% do total e na safra atual 74% das lavouras estão em condições boas e excelentes.

Em julho deste ano, em entrevista ao programa Destaque Rural transmitido pela Planalto FM, citamos a possibilidade de a safra norte-americana ser extremamente boa, pois as condições eram favoráveis e o caso o clima não causasse danos, seria uma safra cheia. Na época estávamos sendo considerados arrojados ao esperar que a safra pudesse atingir 108-109 milhões de toneladas, e agora tudo indica que será ainda maior.

A partir de agora será muito importante manter o foco nos preços, pois ainda podermos ver algumas “pernadas” de baixa nos preços da soja, por conta dos grandes números vindos dos EUA. Se a safra caminhar bem por aqui, no Brasil e na Argentina, essa pressão de baixa tende a se manter. Será necessário o mercado ver riscos climáticos suficientes ou um bom aumento na demanda chinesa para que o cenário de preços se reverta.

Diante disso é crucial aproveitar movimentos de alta para buscar realizar boas vendas de soja no caso dos produtores. Aqueles que já fizeram algumas vendas o ideal por hora é aguardar com calma e preferencialmente buscar travar preços no mercado futuro, pois assim não ficará de fora de um movimento de alta, caso ele venha acontecer.

Boa semana e bons negócios!

 

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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