Frederico Schmidt – De Olho no Mercado

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A SAFRA AGORA É AQUI

*Frederico Schmidt

Na semana passada foi divulgado o relatório trimestral de estoques dos EUA e conforme já esperado pelo mercado, poucas mudanças ocorreram. Ainda teremos no próximo dia 12 a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Dpto. de Agricultura dos EUA (USDA) onde ainda poderão ocorrer alguns ajustes na safra norte-americana. Fato é que a safra por lá já está praticamente dada, resta saber o número final. Existem comentários de lavouras de milho recebendo chuvas em excesso nessa reta final em algumas regiões e os trabalhos de colheita abaixo da média dos últimos anos, porém não são esperados grandes impactos a essa altura do campeonato.

Há pouco foi divulgado o acompanhamento semanal das lavouras dos EUA e a colheita de milho encontra-se em 24% da área total e a de soja em 26% do total, sendo que a média dos últimos cinco anos é de 27% para o milho e 27% para a soja. Além disso, as condições das lavouras seguem muito boas, com 73% das lavouras de milho em condições boas/excelentes e 74% das lavouras de soja em condições boas/excelentes, valores recordes para esta época da safra onde geralmente a qualidade das lavouras, mesmo quando boa, costuma circular em torno de 65%.

Sendo assim não parece muito correto esperar surpresas por lá nesse momento. Ainda que problemas climáticos possam ocorrer a tendência é realmente eles fecharem com valores extremamente positivos, tanto na safra de milho quanto na safra de soja.

O olhar do mercado agora se vira praticamente todo para o hemisfério sul, na safra brasileira e argentina. Ainda há muita especulação em torno da área de plantio de soja, se poderá haver algum incremento ou até mesmo se haverá redução de área, comparado ao que tem sido previamente estimado. Preços firmes de milho têm estimulado produtores da Argentina e do Sul do Brasil a olharem com mais carinho para o cereal e não somente para a soja.

Nessa última semana se dissiparam também os temores de clima seco, que poderiam atrasar os trabalhos de plantio e que poderiam prejudicar o início da safra. As previsões apontam chuvas para praticamente todas as principais regiões agrícolas do Brasil nessa primeira quinzena de outubro e com isso as lavouras já poderão ter um desenvolvimento inicial favorável.

Sobre o andamento do plantio no Brasil, vemos que está praticamente empatado se comparado ao andamento do ano passado. De acordo com o Deral, no Paraná até o dia 28/09 já tínhamos 50% da área de milho e 13% da área de soja plantados. A maior parte do milho semeado já brotado e com boa condição nas lavouras. Na soja a condição se repete.

No Rio Grande do Sul, segundo a Emater, o plantio de milho também segue no mesmo ritmo do ano passado com aproximadamente 54% da área estimada já semeada e mesmo com algumas regiões apresentando germinação mais lenta por conta das baixas temperaturas, em geral o desenvolvimento tem sido bom nas lavouras já semeadas.

No Mato Grosso do Sul, de acordo com levantamento da Famasul, mais de 3% da área projetada de soja já está semeada. Os relatos por lá no entanto são de trabalhos mais lentos que no ano passado, principalmente na região Oeste do estado.

No Mato Grosso o plantio de soja segue com bom ritmo também, com 4,51% da área projetada já semeada no estado, com dados do IMEA. No mesmo período do ano passado o plantio girava em torno de 1,67% do total.

Na Argentina o plantio de milho segue a todo vapor. Até o dia 29 de setembro o país vizinho já havia semeado 21,5% da área estimada, ritmo 25% mais rápido que na safra passada e uma área muito superior, já que o total estimado a ser semeado na safra atual é quase um milhão de hectares a mais que na safra passada. Foram relatados por lá alguns problemas de pausas no plantio por conta das chuvas, outras áreas inclusive com algumas geadas e ataque de lagartas, porém tudo muito pontual. A consideração geral do levantamento da Bolsa de Cereais de Buenos Aires é de que nessa etapa inicial as lavouras estão iniciando bem.

Os trabalhos de plantio na América do Sul de modo geral vão bem nessa primeira etapa e quem já conseguiu colocar o grão na terra vai ser beneficiado por essa frente de chuvas que vem avançando sobre todo o cinturão agrícola da Argentina e do Brasil. O mercado agora passa a focar com mais atenção a nossa safra e diminui o foco nos EUA, precisando ainda haver alguns ajustes finais nos números por lá, mas a maioria dos analistas espera uma safra cheia e com números altos, com pouco espaço para reduções no total.

Com isso o clima na América do Sul ganha atenção especial e o andamento das nossas lavouras tenderá a ser o principal balizador de preços nos próximos meses. Obviamente se ainda houver algum tropeço na reta final da safra norte-americana, isso poderá impactar no mercado, mas o olho está virando para cá. Com a China fora de cena nessa semana, o mercado deverá monitorar de perto as questões climáticas, tanto na colheita dos EUA como no andamento do plantio por aqui.

 

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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