Início da colheita no PR não chega a movimentar trigo em setembro

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O mercado brasileiro de trigo no decorrer do mês de setembro apresentou o início da colheita do trigo no estado do Paraná. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, a boa evolução das lavouras, e também dos trabalhos de ceifa, intensificados em consequência do clima favorável, faz um volume maior do produto entrar, neste primeiro momento, no mercado.

“Apesar disso, a liquidez no estado segue reduzida, tendo em vista que o lado comprador segue retraído, aguardando por quedas nas cotações para voltar a negociar a preços mais atrativos. Mesmo com a baixa liquidez do mercado, as cotações no decorrer de mês apresentar queda de 18% para o estado, refletindo o forte viés de queda em decorrência da expectativa de safra cheia no Brasil, que até o momento está sendo confirmada, potencializada pela elevação da produção na Argentina. Há ainda a pressão sobre as cotações do cereal em Chicago, devido aos maiores estoques mundiais da história”, analisa Pinheiro.

No Rio Grande do Sul, os preços ainda não respondem a esta pressão visto que não há produto proveniente de safra nova, já que os trabalhos de colheita deverão começar apenas no início do mês de outubro. “O produto de safra velha não está mais disponível, e assim, as referenciais para o estado gaúcho são somente nominais. A expectativa para as cotações de produto de safra nova estão por volta de R$ 650,00 a tonelada”, Pinheiro explica que, de modo geral, as condições climáticas são favoráveis e potencializam a evolução da cultura nas duas principais regiões produtoras do país, “confirmando até o momento a safra cheia, além de apresentarem boas condições das lavouras”.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu relatório mensal, que a produção de trigo Paraná deve ficar em 3,245 milhões de toneladas na safra 2015/16, abaixo das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/15. A comercialização atinge 14%.

A colheita atinge 39% da área plantada de 1,083 milhão de hectares de trigo, que deve frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. Conforme o Deral, 87% das lavouras estão em boas condições, 12% em situação média e um 1% em situação ruim , divididas entre as fases de crescimento vegetativo (7%), floração (11%), frutificação (24%) e maturação (58%). O rendimento médio deve ficar em 2.995 quilos por hectare na safra 2015/16, acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

USDA

No dia 12 de setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na silga em inglês) divulgou seu relatório de oferta e demanda para o trigo dos Estados Unidos e do mundo. Conforme o Departamento, a safra 2016/17 do cereal norte-americano é estimada em 2,321 bilhões de bushels, contra 2,052 bilhões de bushels em 2015/16. Os estoques finais do país em 2016/17 foram projetados em 1,1 bilhão de bushels. O número para 2015/16 ficou em 981 milhões de bushels. A projeção de exportações para 2016/17 é de 950 milhões de bushels. Em 2015/16 as exportações ficam em 775 milhões de bushels.

A safra mundial 2016/17 está estimada em 744,85 milhões de toneladas, acima das 743,44 milhões de toneladas estimadas em agosto. A safra 2015/16 é indicada em 734,8 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais de trigo em 2016/17 estão estimados em 249,07 milhões de toneladas, abaixo das 252,82 milhões de toneladas em agosto. As reservas globais ao final de 2015/16 são indicadas em 240,89 milhões de toneladas.

Segundo o USDA, em 2016/17, a produção de trigo no Brasil está projetada em 6 milhões de toneladas, acima das 5,3 milhões de toneladas de agosto. As importações estão apontadas em 5,8 milhões de toneladas. Os estoques finais são projetados em 1,51 milhão de toneladas. A safra 2016/17 do cereal na Argentina foi projetada em 14,4 milhões de toneladas. A estimativa das exportações do país é de 8 milhões de toneladas.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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