Frederico Schmidt – De Olho no Mercado

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Safra de Soja nos EUA? Melhor impossível. E por aqui?

*Frederico Schmidt

Com base no último levantamento feito pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a safra de soja norte-americana deverá alcançar a excelente marca de 114 milhões de toneladas com uma impressionante produtividade média de 50,6 bushels por acre, o equivalente a pouco mais de 57 sacas por hectare.

Desde o relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo USDA em agosto, o mercado vem constantemente esperando uma queda na qualidade das lavouras de soja, o que é normal acontecer todos os anos, porém isso não vem ocorrendo e naturalmente o mercado vem dia após dia esperando alguns cortes, mesmo que pequenos, nas estimativas para a safra de soja dos EUA. Segundo dados de acompanhamento semanal das lavouras nos EUA divulgado na última segunda-feira 12/09, as lavouras em condições boas/excelentes totalizam 73% do total, valor muito bom para essa época da safra, já que geralmente em safras anteriores nesse momento as lavouras costumam apresentar qualidade um pouco inferior, na casa de 68% em média, quando as lavouras vão bem.

Por outro lado a demanda está muito aquecida neste ano-safra e os estoques por sua vez também não tem dado tanto espaço para maiores quedas. É muito importante entender que se não fossem os estoques em níveis baixos e a demanda forte nesse primeiro semestre do ano, os preços da soja provavelmente estariam ainda menores.

A expectativa agora se concentra bastante na reta final da safra norte-americana e nos números finais de produção. Não se pode descartar a possibilidade de inclusive a produção surpreender novamente com números ainda mais altos. Se isso ocorrer poderemos ver o nível de US$ 9,00 por bushel ser testado e muitos consideram a possibilidade de ir abaixo desse patamar.

No dia 30 de setembro teremos o relatório trimestral de estoques nos EUA, que poderá demonstrar novo aperto nos estoques de passagem. Com base no ritmo atual de exportações dos EUA o mercado já projeta menores estoques, porém como comentei acima, se a safra surpreender positivamente essa queda nos estoques pode ser neutralizada.

Uma pesquisa de campo feita pela Farm Futures nos EUA, já aponta intenção dos produtores dos EUA de aumentar a área de plantio de soja em 2017, justamente de olho nessa boa demanda chinesa e também na expectativa de que a América do Sul não terá incremento de área este ano.

Por fim temos que manter o olho na safra sul americana também. Estamos no início do plantio e em algumas regiões já estamos visualizando problemas de atraso por conta de clima muito seco. Resta saber se a safra será problemática ou não, algo que só poderá ser confirmado daqui 30 a 40 dias sobre as condições de plantio e somente daqui 6 meses sobre as condições de produção total.

A verdade é que o Brasil está com a faca e o queijo na mão. Nos EUA, já é de conhecimento de todos uma produção excepcional e na Argentina também já é conhecida a redução na área de plantio, cabendo ao Brasil principalmente, manter o fluxo de soja saindo para a demanda global. Se tivermos problemas climáticos por aqui ou na Argentina, ou quem sabe ainda na colheita dos EUA, aí o cenário de preço da soja a US$ 11,00 ou mais volta a ser uma realidade possível, caso contrário, não há fundamento suficiente dando suporte para o movimento da soja ser outro a não ser a queda.

Por isso é sempre muito importante aproveitar bons picos de preços para realizar vendas parciais, pois os US$ 9,60 por bushel de hoje pode ser um excelente preço, ainda mais quando auxiliado pela recuperação do dólar como vimos essa semana, voltando a trabalhar acima de R$ 3,30.

 

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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