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Elmar Floss – Opinião

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Fatores essenciais para altos rendimentos do milho

*Elmar Luiz Floss 

 

O milho é a principal cultura produtora de grãos no mundo e a segunda no Brasil, utilizado como alimento humano e animal, produção de etanol e matéria prima para vários produtos industrializados. A principal utilização do milho é na alimentação de frangos de corte e postura, suínos e até mesmo de bovinos de leite, associado com o farelo de soja. Trata-se de um cereal de alta adaptabilidade, sendo cultivado, atualmente, em quase todas as regiões do globo.  É a cultura de maior potencial de rendimento de grãos, o que reduz o custo da unidade de grão produzida.

Na safra de 2015/16, a produção mundial de milho no Brasil foi de 966,4 milhões de t, no Brasil de 69 milhões de t. Trata-se da cultura maior produtora de grãos do mundo, a segunda no Brasil e a terceira no Rio Grande do Sul. No entanto, os rendimentos médios no Brasil e no Rio Grande do Sul, são baixos quando se considera os potenciais de rendimento obtidos nas propriedades que adotam a moderna tecnologia de manejo hoje disponível.

O baixo rendimento médio de milho no Brasil, deve-se, principalmente, a população inadequada e má distribuição de plantas (devido a alta velocidade de semeadura, solos frios, grande profundidade de semeadura, salinidade devido a altas doses de potássio na linha e pragas de solo), falta de cobertura verde/morta, inadequadas propriedades físicas do solo (solos compactados), adubação nitrogenada abaixo das necessidades da cultura, deficiência de zinco (em solos arenosos, cerrado ou devido a altas doses de calcário em superfície) e deficiência hídrica.

Fatores para altos rendimentos

            Altos rendimentos de grãos de milho, com qualidade, dependem da conjugação de mais de 50 fatores, dentre os genéticos (híbridos), ambiente (solo e clima), manejo da cultura (tratos culturais) e fatores fisiológicos internos da planta. Otimizar todos os fatores envolvidos com a lavoura, antes e durante o desenvolvimento das plantas. Sair da mentalidade do “mínimo” para o “máximo”. Saber o ideal e fazer “o possível”, para aliar o aumento da produtividade com aumentos na rentabilidade.

  1. Fatores edáficos

O milho exige solos com boa estrutura física, com boa permeabilidade à água e ao ar. Podem ser de textura argilosa ou areno-argilosa desde que tenham boa estrutura. Não suporta solos encharcados, pois necessita de boa aeração junto às raízes. E, solos com uma saturação de bases superior a 70%, alta CTC e descompactados.

  1. Fatores de nutrição

O milho de altos rendimentos exige muito nitrogênio, uma quantidade menor de potássio e menos de fósforo assimilável. O pH ótimo situa-se próximo de 6,0 e 6,5. Uma tonelada de milho remove do solo, em média, 27,9 kg de N; 20,5 kg de K; 10,3 kg de P; 1,6 kg de Ca; 1,6 kg de Mg e 1,3 kg de S

  1. Fatores climáticos

A cultura exige durante o período vegetativo abundância de calor para desenvolver-se e produzir normalmente. O rendimento do milho está diretamente relacionado com a disponibilidade de luz, pois é classificada como planta C4. Para que ocorra alta intercepção de radiação luminosa (90-95% de absorção foliar máxima) para a cultura do milho, há necessidade de alta disponibilidade de água, nutrientes e temperatura adequada. É indispensável chuva ou irrigação precedente a época de fecundação dos óvulos nas espigas.  Considera-se como limitante a falta de água no período de 15 dias antes e 15 depois da floração do milho.

  1. Fatores genéticos

Para obter altos rendimentos e maior estabilidade na produção é importante diversificar híbridos de diferentes ciclos (reduzir o risco de ocorrência de estiagens na floração), estatura baixa (resistentes ao acamamento e mais responsivos à adubação nitrogenada), folhas curtas e eretas (reduz o auto-sombreamento), com sementes de alto vigor e uniformes, dentre aqueles de maior potencial e estabilidade de rendimento, adaptados a cada região edafo-climática, época de semeadura, nível de fertilidade do solo (propriedades físicas, químicas e biológicas) e com uma qualidade de grãos requerida pelo mercado.

  1. Fatores relacionados à semeadura

Realizar a semeadura do milho quando a temperatura do solo estiver acima de 15oC. (emergência rápida e uniforme), com velocidade de semeadura não superior a 6-8 km/h,  numa profundidade  entre 3 a 5 cm, em diferentes épocas (minimizar efeitos de estiagem na floração), numa densidade de plantas recomendada para cada híbrido, disponibilidade hídrica na região e nível de fertilidade do solo.

  1. Fatores relacionados ao controle sanitário

Com híbridos, que apresentam ciclo cada vez mais curto, menor estatura de plantas e maiores potenciais de rendimento, os cuidados no controle fitossanitário devem ser maiores.  Para o controle de pragas e moléstias, além de um adequado tratamento de sementes, é de fundamental importância a rotação de culturas e o equilíbrio nutricional das plantas, especialmente, a relação N/K. Na parte aérea monitorar o ataque de lagartas, pulgões, percevejos, dentre outras pragas, pois, é de fundamental importância a manutenção de uma boa área foliar e a duração da área foliar verde e sadia, especialmente, durante o enchimento de grãos. O controle de plantas daninhas inicia com uma dessecação antecipada e a aplicação de herbicidas pós-emergência até o estádio V4.

  1. Fatores relacionados à fisiologia da produção

Os principais fatores envolvidos com a produção (fonte) são um adequado sistema radicular (eficiência de fornecimento de água e nutrientes), transporte de água e nutrientes das raízes até a folha, folhas curtas e eretas, com adequados teores de clorofila (eficiência na síntese), um índice de área foliar – IAF entre 3,5 a 5 (tamanho da fábrica), uma maior duração da área foliar verde e sadia (jornada de trabalho).

Os fotoassimilados (açúcares e aminoácidos) produzidos na folha dependem da disponibilidade de água para que sejam transportados até os grãos na espiga. O boro é o micronutriente responsável pela liberação de açúcares da folha para o simplasto.  Existe alta correlação entre o rendimento do milho e os teores de nitrogênio e potássio na planta nos estádios reprodutivos, o que justifica a aplicação parcelada de fertilizante nitrogenado. Portanto, a capacidade de armazenamento (dreno), depende da atividade do aparelho fotossintético, do número de grãos formados e da capacidade de enchimento desses grãos (massa).

Considerações finais

Os altos rendimentos e qualidade dos grãos de milho dependem de mais de 50 fatores, relacionados com a genética, solo, clima, tecnologias de manejo utilizadas e dos processos fisiológicos internos. Utilizar híbridos de diferentes ciclos e de acordo com o nível de tecnologia utilizado; diversificar épocas de semeadura; cuidado com a densidade de plantas; evitar excesso de calagem em superfície na semeadura direta; adubação nitrogenada adequada (dose e época); e, eficiente controle sanitário.

*Elmar Luiz Floss Engenheiro-agrônomo e consultor –  Instituto Incia (elmar@incia.com.br )

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