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Comercialização de trigo no Brasil segue lenta com oferta reduzida

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O mercado brasileiro de trigo nesta semana manteve o cenário de baixa liquidez, em decorrência da pouca oferta disponível e poucos negócios sendo realizados. No Rio Grande do Sul os lotes não ultrapassam as 300 mil toneladas, e apresentam preços que superam os R$ 900,00 a tonelada.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, estes negócios são destinados principalmente à indústria moageira de menor porte, que não apresenta grande capacidade de estoques e com isso vem sofrendo com a dificuldade de abastecimento interno.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS, com as condições de umidade do solo favoráveis, praticamente se concluiu a implantação do trigo. Apenas no Nordeste do estado (Serra e Campos de Cima da Serra) ainda restam áreas a serem finalizadas. O desenvolvimento da cultura se apresenta de forma bastante diversa, dependendo da região e das condições climáticas à época da semeadura.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, o plantio foi finalizado, com área estimada em 1,131 milhão de hectares de trigo, recuo de 16% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. As lavouras apresentam boas condições, mas a possibilidade de geadas preocupa.

As importações de trigo pelo Porto de Santos subiram 10,8% em junho comparado ao mesmo mês do ano de 2015. Conforme informações da assessoria de comunicação social da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), os desembarques de trigo no mês de junho de 2016 totalizaram 61.672 toneladas, contra 55.667 toneladas no mesmo mês de 2016. No acumulado do ano até junho, foram importadas 454.834 toneladas de trigo pelo Porto de Santos, alta de 16,2% ante as 391.337 toneladas embarcadas no mesmo período de 2015.

No cenário global, depois de quatro anos consecutivos de produções acima do consumo, os estoques do trigo para o final do ciclo 2016/17 estão estimados em 254 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os maiores da história. A relação estoque/consumo subiu para 35%, a maior desde a temporada 2001/02. “Esse quadro de sobreoferta exerce forte pressão sobre as cotações que estão nos menores níveis desde 2006”, ressalta Pinheiro.

“Diante deste cenário, o prenúncio é de uma próxima safra nova com preços inferiores, o que, com custos em alta, deve estreitar as margens de lucro”, conforme o analista, uma eventual desvalorização do real, a manutenção dos preços do milho em alta e uma eventual quebra de safra podem amenizar essa tendência de baixa no longo prazo.

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