Trigo teve menor liquidez no Brasil em junho com redução da oferta

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A baixa oferta de trigo no mercado brasileiro acarretou numa diminuição da liquidez de negócios com o grão em junho. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, o início da colheita de milho safrinha, que levou as indústrias de ração a deixarem o trigo – mais caro – de lado. Antes disso, porém, o trigo era mais atrativo, o que propiciou um grande volume de negócios e a redução dos estoques disponíveis no mercado.

Os preços não oscilaram, mesmo com a mudança de tendência, que passou de altista, sustentada pelas cotações do milho, a baixista, devido a entrada da safrinha de milho. “Os agentes do mercado estão atentos a esta safrinha, visto que perdas podem sustentar, ou até valorizar, o trigo. Por outro lado, a grande oferta mundial, com os maiores estoques da história, pressiona os preços nas bolsas norte-americanas, e conseqüentemente os referenciais internacionais. O câmbio, atualmente desfavorável ao cereal nacional, deixa os preços, nos países produtores do Mercosul, bem abaixo dos praticados internamente no Brasil”, analisa Pinheiro.

Para julho, com uma oferta disponível bastante restrita e forte retração na demanda pela farinha no mercado interno brasileiro, os moinhos começam a apresentar redução do ritmo de moagem, além de uma baixa disposição a negociar a farinha de trigo. Conforme Pinheiro, isso é resultado da preocupação em manter os estoques bem abastecidos até a entrada da próxima safra. “O produto argentino, uma alternativa atrativa para o abastecimento nacional, também preocupa em relação à qualidade, visto que não se sabe este atende às necessidades da indústria moageira brasileira”, destaca o analista.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS, a pouca chuva ocorrida nas principais regiões produtoras da metade Norte do estado impedido um avanço mais acelerado do plantio de trigo. Em termos gerais, a semeadura avançou para 64% da área, contra os 45% registrados na semana passada. Na safra de 2015, o percentual de área semeada alcançava 68%, também prejudicada por condições desfavoráveis à época, pelo excesso de umidade.

De olho no fim do período recomendado, produtores preferem jogar as sementes ao solo com a umidade desfavorável e esperar pelas chuvas. Entretanto essa estratégia tem se mostrado pouco eficaz, pois tem provocado uma germinação desuniforme, causando falhas no stand de algumas lavouras, o que poderá resultar na diminuição da produtividade caso as precipitações não retornem a níveis aceitáveis.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou que o plantio atinge 90% da área estimada de 1,131 milhão de hectares de trigo, que deve recuar 16% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. Conforme o Deral, 98% das lavouras estão em boas condições e 2% em situação média, divididas entre as fases de germinação (7%), crescimento vegetativo (92%) e floração (1%).

A produção de trigo Paraná deve ficar em 3,471 milhões de toneladas na safra 2015/16, 6% acima das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/15. O rendimento médio deve ficar em 3.023 quilos por hectare na safra 2015/16, 23% acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

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