Trigo segue com pouca liquidez e preços em baixa no Brasil

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

O mercado brasileiro de trigo nesta semana operou com tendência baixista, apesar do período entressafra, e também do baixo volume disponível para comercialização no âmbito doméstico. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, isso decorre da pressão dos preços do milho, que estão recuando com evolução da colheita da safrinha. “Apesar desta conjuntura, o mercado pode apresentar elevações, caso ocorra quebra de safra no milho”, destaca.

O mercado segue com ritmo lento de negócios, repercutindo a menor oferta. O quadro é potencializado pela retração da demanda por parte das indústrias de ração, que voltam suas atenções a sua principal matéria-prima, o milho. Além disso, os moinhos estão estocados pelo menos para os próximos 30 dias nas principais regiões produtoras do país.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS, com as condições de umidade do solo favorável, os produtores avançaram na semeadura do trigo, atingindo 45% do total previsto. As primeiras lavouras implantadas apresentam stand razoável com emergência em duas etapas, conferindo aspecto desuniforme às lavouras. Estas áreas foram implantadas com umidade do solo um pouco acima da ideal no final de maio e primeiros dias de junho. O stand final está um pouco abaixo do ideal, mas não compromete a expectativa de produtividade inicialmente projetada.

Parte das lavouras semeadas recentemente enfrentou aproximadamente 15 dias sem chuvas, preocupando os produtores. Com o retorno das chuvas, mesmo de baixa intensidade, boa parte do risco foi minimizado. Entretanto, alguns municípios não foram contemplados com volumes adequados de precipitações, gerando grande expectativa quanto ao estabelecimento da cultura.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou que o plantio atinge 85% da área estimada de 1,131 milhão de hectares de trigo, que deve recuar 16% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. Conforme o Deral, 98% das lavouras estão em boas condições e 2% em situação média, divididas entre as fases de germinação (12%) e crescimento vegetativo (88%).

A produção de trigo Paraná deve ficar em 3,471 milhões de toneladas na safra 2015/16, 6% acima das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/15. O rendimento médio deve ficar em 3.023 quilos por hectare na safra 2015/16, 23% acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

As importações de trigo pelo Porto de Santos diminuíram 27,5% em maio comparado ao mesmo mês do ano de 2015. Conforme informações da assessoria de comunicação social da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), os desembarques de trigo no mês de maio de 2016 totalizaram 49.290 toneladas, contra 67.949 toneladas no mesmo mês de 2016. No acumulado do ano até maio, foram importadas 393.162 toneladas de trigo pelo Porto de Santos, alta de 17,1% ante as 335.670 toneladas embarcadas no mesmo período de 2015.

Deixe uma resposta