Indústria de trigo segue abastecida e mercado tem poucos negócios

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

O mercado brasileiro de trigo seguiu com poucos negócios nessa semana, considerando que os estoques da indústria estão cheios. O trigo deixou de ser mais atrativo do que o milho, uma vez que este está mais barato. No Paraná, os preços do trigo chegaram a ficar 6% superiores. A disponibilidade de oferta do grão também é reduzida.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, os moinhos paranaenses estão abastecidos para os próximos meses, que deverão apresentar redução significativa das 100 mil toneladas estimadas de volume disponível no estado. “No Rio Grande do Sul os movimentos estão ainda mais reduzidos, com pouca liquidez e um volume inferior a 50 mil toneladas disponíveis para a comercialização. Com isso, a indústria de moagem gaúcha já busca se abastecer com a matéria-prima proveniente da Argentina e Uruguai, contudo, a preços ainda mais elevados”, analisa Pinheiro.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS, a semana se mostrou favorável ao avanço do plantio de trigo, em especial na metade norte do estado, onde se concentra a maioria das lavouras destinadas à cultura. A área semeada totaliza 24%, atrás da média para o período, de 32%. Em regiões mais importantes, como Ijuí e Santa Rosa, com a umidade do solo em nível ideal, os produtores intensificaram o plantio e evoluíram para mais de 45% da área prevista.

A elevada umidade em alguns momentos, como decorrência dos nevoeiros ao amanhecer, e diminuição da luminosidade fizeram com que o plantio só fosse possível em períodos curtos do dia, atrasando em parte os trabalhos de implantação. Produtores relatam problemas com sementes de baixo poder de germinação, com lavouras apresentando falhas e necessidade de replantio em alguns casos. Com o aumento do preço do cereal nas últimas semanas cresceu a procura por sementes para ampliar a área programada. A pouca oferta força os produtores a adquirirem sementes de pouco vigor e de menor potencial produtivo, fato que poderá afetar negativamente a produtividade final das lavouras.

Nos próximos dias, começa a semeadura das áreas da região do Planalto; os triticultores preferem iniciar os trabalhos após 10 de junho, concentrando-a entre 15 e 30, período esse que historicamente tem produzido melhores resultados. Já na Serra o plantio foi iniciado apenas nos municípios de menor altitude como Montauri, que são pouco representativos em área. Nos municípios que cultivam área significativa, como Muitos Capões, Vacaria e Esmeralda, a semeadura ocorre somente em julho. Nessa região a área de cultivo segue ainda indefinida em razão dos riscos da cultura.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou que o plantio atinge 71% da área estimada de 1,148 milhão de hectares de trigo, que deve recuar 15% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. Conforme o Deral, 99% das lavouras estão em boas condições e 1% em situação média, divididas entre as fases de germinação (14%) e crescimento vegetativo (86%).

A produção de trigo Paraná deve ficar em 3,471 milhões de toneladas na safra 2015/16, 6% acima das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/15. O rendimento médio deve ficar em 3.023 quilos por hectare na safra 2015/16, 23% acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

Deixe uma resposta