Trigo tem forte valorização em maio por baixa oferta no Brasil

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Os preços do trigo apresentaram forte valorização no mercado brasileiro, em maio. De acordo com o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, o milho está valorizado graças à baixa disponibilidade do grão em decorrência da estiagem na safrinha. Os grãos são substitutos, um do outro, na fabricação de ração animal, portanto costumam variar juntos.

“A escassez do milho fez do trigo um bom substituto, e a grande procura pelo produto, também escasso no âmbito doméstico, fez os preços subirem. No Rio Grande do Sul as indústrias de ração seguem comprando, pois os valores seguem atrativos. Já no Paraná os preços do trigo já estão cerca de 5% acima do milho, deixando de ser uma alternativa. As indústrias de ração ganharam a competição pelo trigo, e obrigaram os moinhos a buscar sua matéria-prima fora do país”, analisa Pinheiro.

Segundo ele, contudo, o volume disponível no Uruguai e Paraguai é baixo e na Argentina, os produtores estão com as atenções voltadas ao encerramento da colheita de soja. A tendência altista aos preços é minimizada pelo início da colheita do milho safrinha no Paraná.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS a cultura do trigo segue em processo de implantação. O percentual de área semeada no Estado chega a 12%, contra os 15% verificados ano passado na mesma época. Com a alta umidade do solo, os produtores estão priorizando a implantação de outras culturas e esperando que a umidade atinja níveis adequados para a semeadura do trigo.

Em algumas situações, os agricultores arriscaram realizar o plantio, mesmo com o solo bastante encharcado, ocasionando um plantio de pouca qualidade, que poderá dificultar uma melhor germinação. Já as áreas implantadas no início do período recomendado pelo zoneamento apresentam boa germinação e desenvolvimento satisfatório.

Conforme levantado pela Agência SAFRAS, o plantio de trigo na região norte do Rio Grande do Sul atingia, até o último dia 30, cerca de 15% da área, estimada em 23,5 mil hectares. Segundo o engenheiro agrônomo da Cotrel, de Erechim, Nilson Antoniazzi, chuvas desfavoráveis desaceleraram os trabalhos. A produtividade é esperada em torno de 3 toneladas por hectare. “A média histórica de anos bons é essa, entre 2,8 e 3,3 toneladas por hectare. No ano passado tivemos 1,8 tonelada por hectare com um grão de péssima qualidade. Foi um ano terrível”, ressalta.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou que o plantio atinge 64% da área estimada de 1,148 milhão de hectares de trigo, que deve recuar 15% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. Conforme o Deral, 100% das lavouras estão em boas condições, divididas entre as fases de germinação (20%) e crescimento vegetativo (80%).

Na área de atuação da Coopavel, que abrange parte da região oeste do Paraná, o plantio de trigo já ultrapassa 70% da área. A superfície total é projetada em 86 mil hectares. A produtividade média esperada para estas lavouras fica, inicialmente, em 2,9 toneladas por hectare. Na safra anterior, o número final ficou em 2,35 toneladas por hectare. Porém “o que surpreende é a diminuição da área” – pela primeira vez em três safras. “Quando a cooperativa abriu seu moinho, em 2013, houve crescimento no plantio, pois os produtores tiveram melhores perspectivas. Hoje, os elevados custos de produção provocam essa redução da superfície”, finaliza.

A produção de trigo Paraná deve ficar em 3,471 milhões de toneladas na safra 2015/16, 6% acima das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/15. O rendimento médio deve ficar em 3.023 quilos por hectare na safra 2015/16, 23% acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

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