Redução das vendas de trigo e de farelo de soja derruba as exportações gaúchas

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As exportações do Rio Grande do Sul somaram US$ 2,809 bilhões no primeiro trimestre de 2016, uma redução de US$ 284,6 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior. Em decorrência desse resultado, a receita em dólar auferida pelo Estado retraiu-se com maior intensidade (-9,2%) que a observada no País (-5,1%). Foi o menor valor exportado pelo Estado para o período desde 2010. No mesmo sentido, o crescimento do volume embarcado para o exterior pelo RS (10,4%) foi menor que o do Brasil (18,2%), mesmo com quedas similares em preços (-17,7% e -19,7% respectivamente). Com isso, o Estado perdeu duas posições noranking nacional (para o Mato Grosso e o Paraná), ocupando a sexta posição, com 6,9% das exportações brasileiras (ante 7,2% em 2015). Logo, apreende-se que a retração no valor exportado continua se devendo ao recuo dos preços dos produtos exportados, na medida em que o volume embarcado continua evoluindo positivamente. Tal retração em preços é influenciada pelo recuo dos preços internacionais das commodities e pela depreciação do real frente ao dólar, a qual torna os produtos brasileiros mais baratos no exterior.

A redução das divisas de exportação deu-se em dois grupos de produtos, quais sejam, os básicos (redução de US$ 276,1 milhões, ou -19,6%) e os manufaturados (redução de US$ 137,8 milhões, ou -9,8%), enquanto houve elevação das receitas das vendas de semimanufaturados (US$ 143,6 milhões, ou 57,8%). Apesar do crescimento das receitas dos produtos semimanufaturados, eles ainda registram baixa participação nas exportações gaúchas (14,0%), enquanto os produtos básicos contribuíram, no primeiro trimestre de 2016, com 40,2%; e os manufaturados, com 45,0%. Quanto ao volume embarcado ao exterior, apenas os produtos básicos registraram queda (-4,5%); houve elevação de 11,1% dos embarques de manufaturados e de 83,2% dos semimanufaturados. Já os preços afetaram negativamente todos os grupos de produtos.

O desempenho negativo do grupo dos produtos básicos (US$ -276,1 milhões) foi puxado principalmente pelo recuo das vendas de trigo em grãos (US$ -138,8 milhões; -66,1% em valor, -57,5% em volume e -20,2% em preço) e de farelo de soja (US$ -95,9 milhões; -40,0% em valor, -21,5% em volume e -23,7% em preço). Os principais mercados que contribuíram para a redução das vendas de trigo foram Tailândia (US$ -70,1 milhões), Bangladesh (US$ -53,9 milhões) e Coreia do Sul (US$ -23,6 milhões). Já para o farelo de soja, foi a Holanda (US$ -61,7 milhões).

No grupo dos produtos semimanufaturados — com crescimento de US$ 143,6 milhões —, aumentaram sobremaneira as vendas de celulose (US$ 148,7 milhões; 669,2% em valor, 700,2% em volume e -3,9% em preços). Tais exportações, que no primeiro trimestre de 2015 atingiram US$ 22,2 milhões, alcançaram US$ 170,9 milhões no mesmo período de 2016. A China foi o principal responsável por esse resultado, tendo elevado suas compras em US$ 62,5 milhões no período (753,5% em valor e 183,0% em volume), seguida pela Itália (US$ 18,6 milhões) e pelos Estados Unidos (US$ 17,0 milhões).

Por seu turno, a retração das exportações de produtos manufaturados (US$ -137,8 milhões) foi explicada pelo recuo nas vendas de máquinas e aparelhos para uso agrícola (US$ -37,1 milhões; -58,1% em valor, -46,7% em volume e -21,4% em preço), ônibus     (US$ -27,0 milhões; -79,8% em valor, -66,2% em volume e -40,2% em preço) e motores para veículos automotores (US$ -14,4 milhões; -37,4% em valor, -12,3% em volume e -28,6% em preço). Os países que mais contribuíram para a retração das vendas de manufaturados foram a Argentina (US$ -49,6 milhões) e a Holanda (US$ -39,0 milhões).

Os cinco principais produtos exportados pelo Rio Grande do Sul no primeiro trimestre de 2016 foram fumo em folhas (9,8% do total geral), polímeros plásticos (9,5%), carne de frango (7,9%), celulose (6,1%) e farelo de soja (5,1%). Já os produtos com maior crescimento em valor, no comparativo com o mesmo período de 2015, foram celulose (US$ 148,7 milhões), polímeros plásticos (US$ 64,3 milhões), calçados (US$ 8,3 milhões), carne de suíno (US$ 7,3 milhões) e madeira em estilhas (US$ 7,2 milhões). Quanto aos maiores recuos, ressaltam-se trigo em grãos (US$ -138,8 milhões), farelo de soja (US$ -95,9 milhões), máquinas e aparelhos para uso agrícola (US$ -37,1 milhões), fumo em folhas (US$ -28,7 milhões) e ônibus (US$ -27,0 milhões).

No que tange aos mercados de destino, os principais compradores dos produtos gaúchos no primeiro trimestre de 2016 foram Estados Unidos (10,6% do total), China (9,7%) e Argentina(9,1%). Já as maiores variações positivas — e os principais produtos que contribuíram para tanto — foram observadas para China (US$ 69,9 milhões; celulose), Estados Unidos (US$ 45,1 milhões; polímeros plásticos, celulose e éteres alcoólicos) e Itália (US$ 24,2 milhões; celulose). Por outro lado, os maiores recuos foram registrados para Holanda (US$ -91,6 milhões; farelo de soja), Tailândia (US$ -66,9 milhões; trigo em grãos) e Bangladesh (US$ -62,1 milhões; trigo em grãos).

 

Março: retração das vendas de soja para a China por conta da base de comparação

No mês de março, as exportações gaúchas atingiram US$ 1,140 bilhão, uma redução de US$ 112,9 milhões (-9,0% em valor, +13,5% em volume e -19,9% em preços) em relação ao mesmo mês do ano anterior. Tal resultado implicou, para o Estado, a perda de uma posição, configurando-se como o quinto maior exportador no ranking nacional. Os recuos nas vendas de soja em grão para a China (US$ -69,4 milhões), de arroz para o Iraque (US$ -23,0 milhões) e de automóveis para a Argentina (US$ -22,0 milhões) contribuíram para esse desempenho. A retração das exportações de soja (tanto em valor, US$ -56,4 milhões ou -47,3%, quanto em volume, -39,4%) — a qual se traduz em redução de vendas para a China (US$ -69,4 milhões) — deu-se pela alta base de comparação de março de 2015, mês no qual se registrou recorde de embarque (março de 2016 foi o segundo melhor março da história). Por outro lado, destacam-se os incrementos das vendas de farelo de soja para a França (US$ 19,4 milhões), de trigo em grãos para o Vietnã (US$ 19,2 milhões) e de milho para o Irã (US$ 17,2 milhões).

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