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Pequenas indústrias lácteas defendem integração para avançar nas exportações

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Dirigentes e especialistas de instituições da América Latina apontaram cenários para o mercado no primeiro dia do Encontro Latinoamericano de Pequenas e Médias Empresas Lácteas

Fotos: AgroEffective/Divulgação
Fotos: AgroEffective/Divulgação

União de esforços e troca de conhecimento e experiências com o objetivo de alcançar novos mercados para a produção de pequenas e médias indústrias de lácteos da América Latina foram algumas das soluções apontadas por representantes do setor durante o fórum que inaugurou a terceira edição do Encontro Latinoamericano de Pequenas e Médias Empresas Lácteas, que iniciou nesta quarta-feira, 27 de abril, no Fundaparque, em Bento Gonçalves (RS). 

Em sua explanação, o presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil/RS), Wlademir Dall’Bosco, situou os participantes sobre a atual situação da cadeia produtiva no Brasil. Explicou que a crise política e econômica do país, em médio prazo, deverá trazer reflexos ao setor agropecuário, ainda que no atual momento não haja reflexos imediatos pelo bom desempenho do setor na economia. “Para enfrentar o momento precisaremos ter investimentos em qualificação, inspeção e políticas de equilíbrio fiscal”, ressaltou.

O dirigente da Apil/RS lembrou também que o momento é de buscar alternativas no mercado e para isso é necessário também maior integração e troca de experiências entre as pequenas e médias empresas de laticínios. “Isto passa pelo conhecimento e pela tecnologia. Sem este fundamentos não avançaremos. É necessário fomentar um maior intercâmbio entre os países da América Latina”, salientou Dall’Bosco.

O representante da Universidade da Costa Rica, Alejandro Chacón Villalobos, apresentou um cenário do setor na América Central. Segundo os dados do palestrante, 75% dos empreendimentos lácteos no continente são de micro empresas que empregam até cinco funcionários no máximo. Apesar disto, estas agroindústrias são geradoras de 90% dos empregos no setor leiteiro. “A maior parte das empresas pratica apenas o comércio dentro de seus países e produzem de forma semi-artesanal”, informou.

Villalobos analisou também que o mercado exportador das empresas lácteas da América Central ainda é muito restrito aos próprios países do continente, com 92% do comércio realizado entre as nações do bloco. Do restante, a maior parte dos embarques para mercados, como os Estados Unidos, está concentrado com a Costa Rica e a Nicarágua. “Precisamos ampliar o trabalho em rede dos países da América Central”, afirmou.

Representando o Uruguai, o coordenador da Asociación Uruguaya de Pymes Lácteas (Aupyl), Martín de Freitas, lembrou da tradição do país no setor leiteiro. Avaliou que as políticas para o desenvolvimento da cadeia produtiva realizadas nos últimos anos trouxe maior qualificação e produtividade para as indústrias, que dobraram a produção nacional.

No entanto, o dirigente da Aupyl enfatizou que 70% do mercado ainda está nas mãos das grandes indústrias do país. Com maior produção, as cotações também foram derrubadas quando se fala em exportação. “Antes recebíamos cerca de US$ 0,50 pelo litro do leite. Hoje estamos recebendo cerca de US$ 0,23 pelo produto. As pequenas e médias indústrias ainda precisam avançar no mapá da exportação”, ponderou Freitas.

O terceiro Encontro Latinoamericano para Pequenas e Médias Empresas Lácteas (PMES Lácteas), é organizado pela Apil/RS e o Portal Lechero, do Uruguai e faz parte da programação da Envase Brasil/Brasil Alimenta 2016.

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