Desafios do desenvolvimento sustentável exige novos enfoques a serem superado

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Diretor-geral da FAO defende novas formas de colaboração durante reunião sobre agricultura na União Europeia

A comunidade internacional deve encontrar novas e inovadoras formas de trabalhar em conjunto se pretendecumprir com os objetivos estabelecidos na nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU – especialmente, erradicar a fome e a pobreza – ressaltou hoje o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva durante intervenção no Fórum para o Futuro da Agricultura em Bruxelas.

No discurso durante esse evento anual focado na segurança alimentar e ambiental, Graziano da Silva pediu aos ministros e representantes de organismos internacionais para irem além da forma de pensar habitual e adotar iniciativas mais criativas para enfrentar os atuais desafios do desenvolvimento representados pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Os ODS estão inter-relacionados e requerem novas combinações em que políticas, programas, associações e investimentos devem se unir para alcançar objetivos comuns e os bens públicos que mais se necessitam”, disse Graziano da Silva.

“É fundamental que os países adotem formas de governança que ultrapassem os ministérios específicos – como agricultura, saúde e educação – para encontrar soluções inovadoras diante dos complexos problemas do desenvolvimento”, afirmou.

Devemos contar com um amplo leque de ferramentas e enfoques para erradicar a fome, lutar contra todas as formas de má-nutrição e alcançar uma agricultura sustentável, ressaltou o diretor-geral da FAO.

Essas ferramentas – que incluem tanto a agroecologia como a biotecnologia – devem servir as necessidades dos agricultores familiares, cuja autonomia deve ser uma parte central das intervenções de desenvolvimento sustentável, disse.

“Hoje em dia, quase 80% das pessoas em situação de pobreza extrema e subalimentadas vivem em zonas rurais – a maioria delas são agricultores familiares que produzem alimentos, mas não o suficiente para evitar a fome ou escapar da pobreza”, apontou o diretor-geral da FAO.

Disse ainda, que ao mesmo tempo, esses mesmo agricultores familiares produzem a maior parte dos alimentos consumidos em todo o mundo e destacou o papel deles como “atores chaves para alcançar a segurança alimentar para todos”.

“Nesse sentido, é essencial investir e criar novos produtos, tecnologias, processos e modelos de negócio mais amigáveis para apoia-los, melhorar sua resiliência e também para que possam produzir mais de uma maneira sustentável”, disse.

Concentrar-se na nutrição e nas mudanças climáticas

O diretor-geral da FAO também apontou a necessidade de reforçar as cadeias de valor alimentares para garantir uma abordagem atenta a nutrição na produção de alimentos e dietas, “da fazenda à mesa dos consumidores”.

Isso inclui empoderar os consumidores para tomar melhores decisões sobre a alimentação, por exemplo, mediante a melhoria das etiquetas, no sentindo de garantir uma publicidade verdadeira e realizar campanhas efetivas de educação nutricional.

As consequências do grande alcance das mudanças climáticas são outro fator chave que requer respostas de todos os ministérios e setores com o objetivo de ressaltar a gama completa dos impactos na vida e os meios de vida das pessoas.

“Os agricultores familiares pobres são expulsos de suas terras pela seca prolongada, as comunidades de pescas costeiras estão perdendo suas casas devido ao aumento do nível do mar, e os pastores são forçados a migrar em busca de terras onde o gado possa pastar “, disse Graziano da Silva, referindo-se a situação real de muitas pessoas.

“Os pobres rurais são os mais expostos a essas ameaças, e são os menos preparados para enfrenta-las”, acrescentou.  

Vale lembrar que o mandato da FAO está diretamente vinculado com 14 dos 17 ODS. Graziano da Silva destacou o compromisso da Organização da ONU de ajudar os governos a implementar novos mecanismos de governança e ferramentas de gestão da informação para alcançar as prioridades no âmbito dos ODS.

“Não podemos deixar ninguém para trás”, concluiu. 

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