Trigo interno fica estagnado em março, com importações por moinhos

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O mercado brasileiro de trigo manteve o ritmo lento de negócios realizados em março. Como esperado para o período, quando a comercialização do grão fica em segundo plano, os produtores, bem como as transportadoras, voltam suas atenções para a colheita das safras de verão, com destaque para a soja.

Os moinhos, por sua vez, estão bem abastecidos, pelo menos até o final de abril, e aproveitam a oscilação cambial para realizar aquisições pontuais do grão, principalmente importado.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, o bom volume de negócios no final de fevereiro pode ser considerado atípico. “No início de março tudo voltou a ficar estagnado. Atualmente apenas negócios pontuais são realizados e os preços seguem estáveis, sem oscilações”, Pinheiro destaca que a previsão de volta da indústria ao mercado foi adiada.

“As importações foram favorecidas durante boa parte do mês, pois a retração do dólar frente o real possibilitou a aquisições externas por parte da indústria, que reabasteceu e alongou seus estoques. Assim, a expectativa de que a indústria voltasse ao mercado interno em março ou abril foi adiada para meados maio.”

Para abril a expectativa também é de poucos negócios e as atenções devem se voltar ao câmbio. A manutenção do movimento de retração do dólar frente ao real pode pressionar as cotações do grão, uma vez que os preços internos e de importação se aproximam. O trigo argentino e o paraguaio chegam a apresentar preços mais atrativos do que os praticados nacionalmente.

Plantio nos EUA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) indicou a intenção de plantio de trigo nos Estados Unidos, em 2016, em 49,6 milhões de acres. O número fica 9% abaixo do plantado em 2015. Analistas consultados por agências internacionais antes da divulgação esperavam o plantio de 51,659 milhões de acres.
 
O plantio de trigo de inverno foi estimado em 36,2 milhões de acres, 8% abaixo do ano passado e 1% aquém da última estimativa. Cerca de 26,2 milhões de acres são de trigo hard vermelho, 6,6 milhões de acres de trigo soft vermelho e 3,37 milhões de acres de trigo branco. 
 
O Departamento ainda indicou os estoques de trigo em 1o de março de 2016 em 1,37 bilhão de bushels – alta de 20% em relação ao ano anterior. Segundo a média das estimativas de analistas consultados por agências internacionais, as reservas eram esperadas em 1,356 bilhão de bushels.

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