Queda no emprego formal no agronegócio

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Em 2015, o saldo do emprego formal celetista no agronegócio, medido pela diferença entre trabalhadores admitidos e desligados, foi negativo no Rio Grande do Sul. No ano, houve uma perda de 3.983 postos de trabalho. Como resultado desse movimento, estima-se que o estoque de empregos formais celetistas no agronegócio gaúcho tenha decrescido 1,2% no último ano.[2]

Em 2015, o agronegócio participou com cerca de 12% do emprego formal celetista total do Estado. Apesar da queda, o Rio Grande do Sul manteve a 4.ª posição no ranking nacional das unidades da Federação com mais empregos no setor (7,5% do total).

A maior parcela dos empregos do agronegócio gaúcho está situada no segmento “depois da porteira” (61,2%), que registrou queda de 0,6% em 2015 (-1.232 postos de trabalho). Os setores com maior saldo negativo nesse segmento foram os de fabricação de produtos intermediários de madeira (-816 empregos), fabricação de conservas (-767 empregos) e curtimento e preparações de couro (-490 empregos). Na contramão da crise, o destaque positivo foi o setor de abate e fabricação de produtos da carne, cujo estoque de emprego cresceu 1,6% em 2015 (941 postos de trabalho).

A maior perda de postos de trabalho em 2015 ocorreu no segmento “antes da porteira”, responsável por 12,7% do emprego formal celetista do agronegócio gaúcho. Depois de acumular queda de 5,6% em 2014, o nível de emprego do segmento voltou a cair (-8,5%). O setor que mais contribuiu para esse resultado foi o de fabricação de tratores, máquinas e equipamentos agropecuários, que fechou 4.742 postos de trabalho em 2015.

O núcleo, ou segmento “dentro da porteira”, que responde pelos 26,2% restantes do emprego formal celetista do agronegócio, foi o único com saldo positivo no Rio Grande do Sul em 2015 (944 empregos). Portanto, o crescimento da produção agropecuária na safra 2014/2015 foi acompanhado da ampliação do número de postos de trabalho. Os setores agropecuários com maior saldo positivo no ano foram, respectivamente, o de apoio à agropecuária e à produção florestal (797 postos de trabalho) e o da pecuária (790 postos de trabalho). Na agropecuária, o setor lavouras permanentes foi o único com queda expressiva no emprego (-1.031 postos de trabalho).

Em se tratando da participação setorial no total de empregos formais celetistas do setor, em 2015 se destacaram no Rio Grande do Sul: no segmento “dentro da porteira”, a produção de lavouras temporárias (10,4%) e a pecuária (7,9%); no segmento “depois da porteira”, o abate e fabricação de produtos de carne (18,7%) e o comércio atacadista de produtos agropecuários e agroindustriais (12,3%); e, no segmento “antes da porteira”, a fabricação de tratores, máquinas e equipamentos agropecuários (7,5%).

Em termos regionais, a distribuição do emprego é desigual e reflete a especialização produtiva e as características fundiárias do território gaúcho. A mesorregião Noroeste é a que concentra a maior parte dos empregos do setor (28,0%), seguida da Metropolitana de Porto Alegre (24,3%). A mesorregião Noroeste destaca-se nos três segmentos, notadamente por sua participação no segmento “antes da porteira” (57%). Já as mesorregiões Metropolitana de Porto Alegre e Sudoeste abrigam, respectivamente, o maior contingente de empregados nos segmentos “depois” e “dentro” da porteira (28,7% e 23,2%). Em 2015, o saldo entre admitidos e desligados foi negativo em cinco das sete mesorregiões rio-grandenses. Em termos absolutos, o pior desempenho foi observado na mesorregião Noroeste (-2.434 postos de trabalho), reflexo, sobretudo, da desaceleração da indústria de máquinas e implementos agrícolas. Em termos relativos, a maior queda ocorreu na mesorregião Sudeste (-2,8%), resultado da perda de empregos no setor de fabricação de conservas (-756 empregos).

Na lista dos 10 municípios gaúchos que mais perderam postos de trabalho no agronegócio em 2015, seis são conhecidos por sua especialização na produção de máquinas e equipamentos agropecuários e estão situados na mesorregião Noroeste (Panambi, Marau, Santa Rosa, Passo Fundo, Não-Me-Toque e Ibirubá). O resultado de Vacaria é explicado pelo desempenho do setor de Lavouras Permanentes (sobretudo, a cultura da maçã), e o de Pelotas, pela já relatada perda de empregos no setor de fabricação de conservas.

Entre os municípios com maior saldo positivo no emprego, destaca-se Seberi, com um aumento expressivo nos postos de trabalho na atividade de fabricação de alimentos para animais. O resultado positivo no emprego dos Municípios de Barra do Ribeiro e Guaíba deriva, sobretudo, da abertura de postos de trabalho nas atividades de produção florestal e fabricação de celulose e papel.

 

A Fundação de Economia e Estatística está divulgando pela primeira vez as estatísticas do emprego formal celetista e das exportações do agronegócio do Brasil e do Rio Grande do Sul. A produção dessas estatísticas foi viabilizada a partir do desenvolvimento de metodologias próprias, detalhadas nas notas metodológicas.

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