Relatório da FAO revela que 33% dos solos do mundo estão degradados

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O relatório do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) com participação da Embrapa Solos revela que 33% dos solos do mundo estão degradados. O documento “Status of the World&Soil Resources” reúne o trabalho de cerca de 200 cientistas do solo de 60 países. A erosão, a salinização, a compactação, a acidificação e a contaminação estão entre os principais problemas, causando entre outros prejuízos, selamento da terra (que agrava as enchentes) e perda de fertilidade. Os solos degradados captam menos carbono da atmosfera, interferindo nas mudanças climáticas. Ao contrário, quando gerido de forma sustentável, o solo pode desempenhar um papel importante na diminuição das alterações climáticas, por meio do sequestro de carbono e outros gases de efeito estufa.

Até 2030 será necessário aumentar a produtividade mundial de alimentos em 60% para suprir a população que somará 8,5 bilhões de pessoas. A perda de solos produtivos prejudica gravemente a produção de alimentos e a segurança alimentar, amplificando a volatilidade dos preços dos alimentos e, potencialmente, mergulha milhões de pessoas à fome e à pobreza. O relatório constata que a mudança climática é um forte motor da mudança do solo. Temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos relacionados, tais como secas, inundações e tempestades, impactam diretamente na quantidade e fertilidade do solo. As alterações no clima também têm reduzido a umidade e vêm esgotando as camadas de solo rico em nutrientes. Também têm contribuído para um aumento na taxa de erosão do solo e recuo da costa, proporcionando um avanço do mar cada vez maior. A erosão elimina 25 a 40 bilhões de toneladas de solo por ano, reduzindo significativamente a produtividade das culturas e a capacidade de armazenar carbono, nutrientes e água. Perdas de produção de cereais devido à erosão foram estimadas em 7,6 milhões de toneladas por ano. Se não forem tomadas medidas para reduzir a erosão, haverá a diminuição total de mais de 253 milhões de toneladas de cereais em 2050. Essa perda de rendimento seria equivalente a retirar 1,5 milhão de quilômetros quadrados de terras na produção de culturas (cerca de toda a terra arável da Índia). Na América Latina o cenário é preocupante. Cerca de 50% dos solos latino-americanos estão sofrendo algum tipo de degradação.

No Brasil, os principais problemas encontrados são erosão, perda de carbono orgânico e desequilíbrio de nutrientes. Os solos brasileiros também sofrem com a salinização, poluição e acidificação. O documento oferece evidências de que essa degradação pode ser evitada. A agricultura familiar retira mais nutrientes do solo do que repõe. Isso acontece porque faltam conhecimento mais detalhado do solo e políticas públicas para que o pequeno produtor possa fazer o manejo adequado da terra, aponta a Embrapa. O Brasil é o país que mais possui áreas que podem ser incorporadas à agricultura, porém precisa avançar na adoção de práticas sustentáveis na produção de alimentos e no conhecimento dos solos. Tecnologias que promovem a agricultura sustentável precisam ser adotadas pelos produtores, tais como o plantio direto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a fixação biológica de nitrogênio, por exemplo. A acumulação de sais no solo reduz o rendimento das culturas e pode eliminar completamente a produção vegetal. A salinidade induzida por humanos afeta um número estimado de 760 mil quilômetros quadrados de terra em todo o mundo – 3 uma área maior do que toda a terra arável no Brasil. No País, a área mais afetada pelo problema é o Nordeste, geralmente provocado por irrigação em áreas impróprias. Por fim, o relatório acusa que a acidez do solo é um grave obstáculo à produção de alimentos em todo o mundo. Os solos mais ácidos do mundo estão localizados em áreas da América do Sul que sofreram desmatamento e onde foi praticada agricultura intensiva.

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