(54) 3632 5485 contato@destaquerural.com.br

Exportações: Brasil fecha 2015 superavitário no comércio com os árabes

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

Para Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, ano que se inicia será de recuperação e reserva oportunidades com carnes, calçados e produtos de valor agregado

O comércio bilateral entre o Brasil e os 22 países da Liga Árabe encerrou 2015 superavitário para o lado brasileiro. A diferença entre as exportações e importações teve um saldo positivo para o Brasil de US$ 4,99 bilhões, alta de 153% na comparação com 2014. O total exportado pelo País em volume também cresceu 10,15% na mesma comparação, para 44,18 milhões de toneladas. Já o faturamento recuou 9,55%, para US$12,12 bilhões, ou seja, apesar de vender mais, as receitas ficaram abaixo do ano anterior.

Na avaliação da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), responsável pela compilação dos dados que tem como base as estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o resultado de 2015 foi fortemente influenciado pela redução de preço das commodities no mercado internacional. Esses produtos, que perfazem 70% da pauta brasileira de exportações, tiveram depreciação média de 40% ao longo do ano, o que impactou as receitas.

“O preço baixo das commodities estimulou os árabes a formar estoques, principalmente de alimentos e minérios”, analisa o secretário-geral da entidade, Michel Alaby. “O superávit foi obtido com a mesma situação. 90% do que importamos dos árabes é petróleo e derivados, como plásticos e fertilizantes. Esses produtos também tiveram redução de preços internacionalmente. Assim reduzimos o valor das nossas compras e alcançamos um resultado mais favorável do ponto de vista da balança comercial”

Em resumo, em 2015, o exportador brasileiro teve de esforçar-se mais para superar os resultados do ano anterior. Em alguns segmentos foram bem-sucedidos, caso, por exemplo, dos grãos. Em volume, os embarques do produto aumentaram 32,61%, para 5,2 milhões de toneladas. Em valor, a alta foi menor, de 18,90%, para US$ 919,4 milhões, mas ainda sim positiva. Nas carnes ocorreu o mesmo. Os embarques aumentaram 13,13% em volume (1,97 milhão de toneladas) e o faturamento cresceu 1,97%, com receitas fechando em US$ 3,8 bilhões.

Mas nem todos os segmentos conseguiram superar as receitas de 2014. O embarque de minérios em volume, por exemplo, aumentou 5,71%, num total 23,42 milhões de toneladas. As receitas caíram 40,12%, para US$ 1,1 bilhão. Em contrapartida, os árabes passaram a ver no Brasil um fornecedor importante de derivados minerais. Os embarques de ferro fundido, por exemplo, aumentaram 347% em volume (490 mil toneladas) e as receitas nada menos que 143,7% (US$ 162 milhões) e hoje o insumo é 12º item mais importante da pauta.

O diretor da Câmara Árabe destaca ainda que 2015 foi um ano de vitórias, principalmente no segmento de carnes. Em maio, o Iraque efetivou com o Brasil um acordo fitossanitário que permitiu alavancar as vendas de frango e gado em pé para o país, que hoje é o 10º destino das exportações brasileiras no mundo árabe. Em novembro, a Arábia Saudita pôs fim ao embargo imposto à carne bovina brasileira em 2012. A Câmara Árabe foi um dos principais artífices dessa importante liberação. A iniciativa abriu um mercado potencial de 50 mil toneladas ou US$ 170 milhões para o Brasil, que deve crescer ainda mais já que Bahrein, Catar e Kuwait podem seguir a decisão saudita. Se isso ocorrer, o Brasil pode exportar outros US$ 50 milhões em carne bovina para esses países.

 

Alaby acredita também que 2016 será um ano de recomposição. Para ele, o Brasil tem diante de si um cenário favorável às exportações. “Com o mercado interno em recessão e o dólar com perspectiva de valorização, o caminho natural são as vendas externas”, diz.  Alaby acredita que os maiores potenciais estão nos mercados de carnes, máquinas agrícolas, cosméticos, calçados e outros segmentos de valor agregado. “Estamos vivendo uma condição especial para exportar produtos manufaturados e esse é o caminho, já que as commodities não mostram tendência de recuperação de preços, por enquanto”.

Deixe uma resposta