Brasil pode ter novo pico de retenção de matrizes bovinas

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De acordo com especialista, alta nos abates e exportações de gado em pé devem movimentar busca por fêmeas na temporada

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que nos três primeiros trimestres de 2015 a participação das fêmeas nos abates bovinos no Brasil foi de 40,8%. O número, de acordo com os especialistas, é semelhante ao do ano de 2008, que foi seguido de uma forte retenção no ano seguinte, onde o número caiu para 29,5%, o que deve gerar um novo pico de retenção de matrizes e a busca no mercado por fêmeas.

Para o diretor da Trajano Silva Remates, Gonçalo Silva, o fato se deve à valorização da carne no mercado nacional, o que fez com que produtores abrissem mão de reprodutoras devido aos preços atrativos. Além disso, lembra também que houve grandes embarques de gado em pé onde as matrizes entraram como material complementar. “Muitas matrizes importantes foram abatidas e também vendidas como gado em pé para o Oriente Médio. E o mercado continua aquecido, tanto que já está ancorado em Rio Grande um navio para dez mil cabeças. Geralmente há uma série de restrições e a preferência por bovinos machos entre dois e três anos, mas como está difícil a captação destes animais, acabam buscando também as fêmeas”, explica.

A avaliação, de acordo com Silva, é que a valorização da pecuária, onde já se paga até R$ 6,00 o quilo vivo em algumas regiões do Rio Grande do Sul, aliada a necessidade da produção de terneiros para o mercado de carne, deve fomentar a procura de matrizes ao longo da temporada. “Busca por matrizes deve aumentar durante o ano de 2016. Algumas pesquisas indicam que o berço da cria é importante e há uma necessidade maior de produção de cabeças para abates”, observa.

Conforme o dirigente da Trajano Silva Remates, a busca pela produção de carne de qualidade para atender os mercados interno e externo vão aquecer os negócios na pecuária em 2016. Entretanto, mesmo com a valorização, assim como na agricultura, os custos de produção começaram a pesar no bolso dos criadores. “O produtor rural vem segurando o Brasil na última década e a carne, como commodity, está muito valorizada e o setor vem tendo o reconhecimento. Mas temos alta nos custos de produção, como valores de sementes para pastagens, tendo uma valorização maior do que o que vem tendo a carne, reconhece.

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