A importância do controle de custos no agronegócio

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* Philipe Santos

 O Brasil passa por uma grave crise financeira e política. O dólar atinge patamares que há muitos anos não alcançava, a economia passa por um processo de desaceleração e o desemprego está com índices acima dos 7,5%, este que só tivemos em 2009. O país está sem dinheiro e sem credibilidade, o que contribuiu para que as agências de classificação retirassem o seu selo de bom pagador.

Diante de tudo o que está acontecendo, estamos nos igualando à pré-industrialização da década de 40, com a economia brasileira chegando ao fim de um ciclo, deixando um rastro de incertezas e preocupações em todos os setores da economia e, sem termos clareza sobre o que virá.

Contudo, ao contrário dos demais setores da economia, o agronegócio caminha na contramão da crise pela qual estamos passando. Atualmente, o setor é responsável por 44% do total das exportações, 23% do PIB e 27% dos empregos formais, tornando-se, nos últimos anos, o sustentáculo da balança comercial. Na safra 2014/2015, ultrapassamos 208 milhões de toneladas e para a safra 2015/2016, espera-se um aumento de mais de 2% na produção, fazendo com que tenhamos um novo recorde, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).

Entretanto, mesmo com as safras recordes e sendo o responsável por grande parte do PIB Brasileiro, o agronegócio tem sentindo os efeitos ocasionados pela crise. Entre eles, o aumento de juros nas linhas de crédito, do preço dos insumos (fertilizantes e defensivos), do valor da energia elétrica e dos combustíveis, o que onera os gastos com a atividade. Contudo, por mais que ela ainda apresente lucros, no decorrer das safras ela pode vir a fracassar, caso falte planejamento e controle.

Notamos que os produtores estão fazendo suas atividades agrícolas de maneira muito semelhante – principalmente no que diz respeito a métodos de semeadura, cultivares, épocas de cultivo e colheita – porém, percebemos uma grande oscilação na produtividade, que ocasiona uma diferença significante nos valores gastos, estes que deveriam se refletir diretamente na produção. Contudo, isso não tem acontecido, pois o produtor gasta mais, mas sem obter aumento de produtividade.

A real diferença está na eficiência no controle de custos, pois como comentamos, o aumento de gastos não está diretamente relacionado ao aumento da produtividade. Diante desse cenário, onde a economia passa por um período de total instabilidade, fica cada vez mais evidente a importância do controle dos custos.

Nesse sentido, para tornar a atividade ainda mais lucrativa, devemos controlar e melhorar a eficiência dos custos. Para tanto, a tomada de decisão deve ser feita através de dados precisos, porque muitas vezes para enxugar custos acabamos esquecendo da recomendação da análise de solo e, consequentemente diminuímos custos que podem estar diretamente ligados à produtividade, como por exemplo, os fertilizantes.

Diante das informações, surgem os questionamentos. Quais são os parâmetros corretos dessa análise? É vantajoso esse tipo de redução em tempos de cotação do grão acompanhando o aumento do dólar?

Para responder a essas e a outras tantas perguntas, é preciso conhecer seu negócio, saber qual margem está deixando e se o lucro paga os investimentos feitos. Muitas vezes, por falta de conhecimento do negócio como um todo, o gestor falha na tomada de decisão, ou por achar que está capitalizado, faz um investimento não tão necessário. Essa análise superficial do negócio pode penalizar a atividade.

A economia estando estável, as ações a serem tomadas tornam-se mais previsíveis, mas em momentos de instabilidade cada novo investimento deve ser muito bem analisado, com projeção de impacto de cada desembolso nas contas e na atividade.

Nesse contexto, em quem podemos apostar: em quem não está investindo? Na empresa mais capitalizada? Aquele que tem retorno sobre o investimento? Que tem um bom lucro líquido? Sem dúvida, é necessário enxugar sem gerar queda de receita, investir com segurança e controlar o endividamento. Porém, aqueles que tiverem um gerenciamento das suas atividades e, sobretudo um controle de seus custos, permanecerão na atividade, crescendo e se fortalecendo mesmo em meio à crise geral, pois os bem assessorados se recusam a fazer parte da crise e continuam aperfeiçoando suas técnicas.

Nós da Safras & Cifras, ao longo dos últimos tempos, temos acompanhado as evoluções do agronegócio e o desenvolvimento de novas tecnologias, que proporcionam melhorias na qualidade e na produção agrícola, mas que em contrapartida, ocasiona o aumento dos custos de produção. Com a inflação em alta e o custo dos insumos mais elevado, a margem do resultado fica mais curta.

Sabemos que essas mudanças exigem dos produtores rurais um conhecimento cada vez mais profundo do seu negócio e, consequentemente, um aprimoramento na gestão de custos e controle de suas atividades. Por isso, um dos nossos objetivos é contribuir para que os produtores sejam mais eficientes e se atentem somente para investimentos necessários, pois manter o caixa positivo e sob controle é a decisão mais sensata para períodos de incertezas. 

 

*Engenheiro agrônomo e analista gerencial da Safras & Cifras

philipe.santos@safrasecifras.com.br

 

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