Campeão de emissões de Gases de Efeito Estufa no Sul, RS é o quinto que mais emite no país

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Agropecuária é o setor que mais contribui para as emissões estaduais; No Brasil, o uso de termelétricas aumenta emissões do país.

Rio Grande do Sul foi o quinto estado no ranking – e 1º do sul – dos que mais contribuíram para as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil em 2014. No total, foram quase 94 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e) emitidas no estado, sendo que praticamente metade – mais de 45 milhões – são referentes à agropecuária. O setor de energia é o segundo que mais emitiu em território gaúcho. Com mais de 26 milhões de toneladas, é responsável por mais de 27% das emissões do estado. 

Esse total representa aumento de menos de 1% em relação a 2013 e corresponde a 6% das emissões brasileiras. Os dados são da nova estimativa do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

O Rio Grande do Sul também perdeu recentemente o posto de 4º maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para o Paraná. “Esse resultado demonstra que aquela história de que precisamos aumentar as emissões para a economia crescer não é verdadeira. Reduzir as emissões não significa prejuízo econômico”, enfatiza André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário, uma das instituições que fazem parte do Observatório do Clima (OC).

O Estado campeão em emissões é o Pará com 145,78 milhões principalmente por conta de desmatamento, seguido de perto por São Paulo, em segundo lugar, com 154,08 milhões, especialmente provenientes das emissões no setor de energia. O terceiro estado que mais emitiu foi Mato Grosso, também por conta do desmatamento. Foram mais de 145 milhões de toneladas de CO2e.

 

Emissões brasileiras

No Brasil, as emissões de GEEs no ano mesmo período permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia. O país emitiu no ano passado 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (t CO2e), uma redução de 0,9% em relação ao 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013.

Naquele ano, uma aceleração de 28% na taxa de desmatamento na Amazônia havia feito as emissões totais do país crescerem 8,2% em relação ao ano anterior. Com a desaceleração do desmatamento em 2014, era esperado que as emissões também caíssem, mas não foi o que se verificou: uma alta de 6% na quantidade de carbono lançada ao ar pelo setor de energia impediu que a queda de 9,7% no setor de mudança de uso da terra (desmatamento) fizesse diferença na contribuição do Brasil para o aquecimento global no ano passado.

O setor de energia emitiu, em 2014, 479,1 milhões de toneladas (mt) de CO2e, e hoje está lado a lado com lado da mudança de uso da terra (486,1 mt CO2e) como principal fonte de gases-estufa da economia brasileira.

“A participação das usinas termelétricas na geração de energia para compensar a crise hídrica que afetou as hidrelétricas foi protagonista nesse resultado”, afirma Ferretti. “É preciso diversificar nossa matriz energética, investindo em fontes limpas como a eólica e o etanol de segunda geração.”

 

INDC

Segundo o coordenador do OC, os dados do SEEG acendem uma luz amarela sobre a INDC, o plano climático anunciado pelo Brasil para a conferência do clima de Paris, que começa em 11 dias. De acordo com a INDC, o Brasil se compromete a realizar reduções absolutas de emissão em toda a sua economia após 2020. “Isso preocupa, porque 2020 é depois de amanhã”, diz Ferretti. “O país precisa fazer uma transição econômica importante se quiser entregar não apenas o que prometeu na INDC, mas um corte de emissão maior, compatível com a meta de manter o aquecimento global abaixo de 2oC. Com esses níveis de emissão, o espaço para essa transição fica pequeno. Estamos longe da trajetória em que precisamos estar.”

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