“A contabilidade gerencial é imprescindível nas empresas rurais”

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Em entrevista, consultora contábil Lizandra Blaas fala sobre a profissionalização do setor agrícola, lucratividade e ajustes fiscais

O final de novembro será movimentado para os empresários e produtores rurais do Mato Grosso do Sul. Só nesta semana, Campo Grande sediará dois eventos importantes que tratarão de tendências de mercado e desafios para o futuro do agronegócio: o MS Agro 2015 e o Encontro Estadual de Contabilidade Rural.

Embora tragam abordagens ligeiramente distintas, há um debate que aproxima os dois – o da profissionalização das ferramentas de gestão para o fortalecimento do setor. Conversamos com Lizandra Blaas dos Santos, contadora e consultora da Safras & Cifras Assessoria e Consultoria Agropecuária, sobre a importância da contabilidade gerencial para a tomada de decisões nas empresas rurais.

Lizandra será uma das palestrantes do XIV Encontro Estadual de Contabilidade Rural do MS, que será realizado quarta-feira (25), das 8h às 18h, no auditório da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul). 

Na entrevista abaixo, ela fala sobre a valorização dos processos contábeis no setor agrícola, transições de propriedade, reflexos de ajustes fiscais, lucratividade, entre outros assuntos. Confira:  
 

Nos últimos anos, a contabilidade deixou de ser apenas uma ferramenta de planejamento tributário e ganhou um importante espaço na gestão dos negócios, influenciando inclusive na competitividade de uma empresa. Quais são os principais motivos dessa transformação?

Lizandra – A evolução econômica e financeira do mercado mundial acabou forçando as empresas a se especializarem e a investirem em tecnologia, profissionais, marketing, capacidade de produção, entre outros. Esses investimentos têm como objetivo principal manter a competitividade, mas também atendem a necessidades do mercado. As empresas precisam ser cada vez mais inovadoras, criativas e atrativas. Dentro dessa lógica, elas perceberam que, para manter um constante grau de crescimento, tinham de aprimorar as ferramentas de controle e de gestão.

Há uma tendência muito grande de profissionalização dos negócios rurais, com definições societárias claras e maior segurança jurídica, por exemplo. De que forma o gerenciamento contábil pode auxiliar nesse processo?

Lizandra – A importância da contabilidade gerencial nesses casos é imprescindível. Por meio dela, é possível fornecer à família, aos sócios e ao negócio informações seguras, claras e transparentes. Todas essas informações são necessárias para a prestação de contas, gestão e a ajudam muito na tomada de decisões. Além disso, a contabilidade gerencial formaliza a remuneração do capital e do trabalho, e também os critérios para a entrada e saída de sócios.   

Muitos estados brasileiros, entre eles o MS, tiveram ajustes fiscais aprovados que entrarão em vigor no início de 2016. É o caso do aumento da alíquota do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação (ITCD). Como as empresas rurais podem se prevenir durante esse tipo de transição de patrimônio?

Lizandra – A combinação ideal do planejamento tributário com o planejamento gerencial do negócio pode minimizar o impacto da carga tributária. Essas são as principais ferramentas que, por meio de elisão (métodos legais), atendem às necessidades e às particularidades de cada família. Algumas alternativas, como a transferência de bens em vida e a criação de uma pessoa jurídica, auxiliam nesse processo, não só pela economia de imposto, mas pela preservação da harmonia familiar.

A contabilidade gerencial influencia diretamente na lucratividade e na rentabilidade de uma empresa?

Lizandra – Sim. A fidelidade das informações registradas na contabilidade resulta em índices idôneos de lucratividade e rentabilidade. Desta forma, a empresa pode desenvolver e sustentar suas vantagens competitivas de maneira mais adequada e responsável. Se o trabalho é realizado com informações distorcidas, teremos um grande prejuízo na tomada de decisões. E ao tomar uma decisão equivocada, uma empresa coloca em risco não apenas sua margem de lucro e rentabilidade, mas também a sua capacidade financeira e solidez. É melhor não arriscar. 

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