Alimentos: o mundo vai precisar muito do Brasil

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Considerando as condições brasileiras para a produção de alimentos, o mundo vai precisar muito do país a partir dos próximos dez anos. Esta posição da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura – FAO é referida diante do relatório feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE em parceria com a entidade. O documento aponta que a agricultura mundial terá de ampliar em 80% a produção de alimentos, até 2050, para atender às necessidades de uma população cujas projeções apontam para 9,7 bilhões de pessoas. Ele ressalva, no entanto, que essa produção tem de ser feita de maneira sustentável, com ganhos para todas as cadeias, por meio do desenvolvimento e de tecnologias, mas principalmente que deverá ser muito mais exigente no uso da água, dos recursos naturais e da conservação do solo. O Brasil está à altura e pode produzir sem a necessidade de aumentar a área de cultivo, sem fazer desmatamento com a reutilização das áreas degradadas, que podem ser transformadas em recursos agrícolas de alta produtividade. É o que se chama de intensificação sustentável da agricultura. Com este ganho de espaço, o Brasil tem condições de aumentar a produção sem abrir novas áreas. O Brasil tem tecnologia para atender a este cenário. Cita-se no relatório a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, que desenvolveu técnicas de recuperação das áreas degradadas, dentre as quais destaca-se a Integração LavouraPecuária-Floresta (ILPF). Necessita-se, entretanto, de incentivos de crédito, de financiamento e também de abertura de mercados, com compradores que paguem preços de rentabilidade para o produtor; para isso são fundamentais os acordos bilaterais, comerciais, com grandes compradores como a Rússia, ou mesmo a Índia, e outros países da África, que já têm e terão uma grande demanda por alimentos. Afirma-se, no trabalho, que entre os produtos agropecuários brasileiros que serão mais desejados pelos importadores estão as carnes bovina, suína e de frango. Este relatório, produzido em parceria com a OCDE, mostra, com muita clareza, que para produzir carnes é preciso que também se produza grãos, isto é, há uma relação conjunta, de complementaridade entre esta grande demanda por carnes e a produção de grãos. Prevê-se por isso que nos próximos dez anos o Brasil estará em condições de duplicar sua produção agropecuária, porque vai existir demanda e tecnologia. No Brasil, ainda é preciso que muitos produtores façam o que agora poucos estão fazendo. Tem-se produtores muito bons, que estão no topo da tecnologia, melhor até que nos Estados Unidos, mas há muitos que estão atrasados; para equilibrar esse quadro, são necessários conscientização, acesso à inovação e muita assistência técnica. O desafio colocado para a agricultura brasileira é ampliar a produção com ganhos de produtividade, com sustentabilidade ambiental e redução da pobreza e da desigualdade.

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