Colheita de trigo avança no sul do Brasil, mas clima preocupa

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

O mercado brasileiro de trigo segue com as preocupações em torno do clima nas principais regiões produtores do país.

Conforme o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan  Pinheiro, “há previsões de chuvas fortes no Rio Grande do Sul, podendo  prejudicar a qualidade do cereal e atrapalhar os trabalhos de colheita no  Estado”. O cenário é parecido no Paraná, onde também deve chover,  prejudicando a finalização da colheita e parte da oferta de trigo do Estado.
“A comercialização no Paraná apresenta melhor liquidez, e grande parte do cereal colhido tem sido negociado, já que os preços internos são mais  atrativos em relação ao grão importado, visto que o real segue bastante  desvalorizado”, disse o analista. “No Rio Grande do Sul a comercialização  segue ainda em ritmo lento, pois a oferta existente ainda é muito pequena”,  finalizou Pinheiro.
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu levantamento semanal, que 67% dos 1,335 milhão de hectares de trigo da safra 2014/15 foram colhidos até o momento. Conforme o Deral, 68% das lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento, 26% das lavouras estão com condições médias  e 6% em situação ruim. As lavouras estão divididas entre as fases de  floração (9%), frutificação (38%) e maturação (53%).
Conforme informações divulgadas pela Emater/RS em seu boletim semanal, a safra 2015 de trigo no Rio Grande do Sul, continua sofrendo com pressão de fungos e pragas, exigindo dos produtores diversas aplicações de fungicidas.  Neste momento, quando o tempo permite, ocorrem aplicações de fungicidas e inseticidas nas lavouras plantadas mais tarde. Poucas lavouras de trigo começaram a apresentar os sintomas causados pela geada dos dias 12 e 13 de setembro, principalmente em áreas mais baixas, demandando solicitações de Proagro. Entretanto, a maioria das lavouras ainda apresenta um bom aspecto geral, entrando na fase de maturação do grão e colheita.
Com a expectativa de grandes volumes de chuvas para os próximos dias, os agricultores optaram por iniciar a colheita nas suas melhores áreas. Os preços não estão sendo informados pela maioria dos municípios, ainda que a expectativa seja de aumento do preço do cereal, principalmente pela boa qualidade inicial do produto e pela cotação do dólar, o que dificultaria a importação.
 
Mercado internacional
Na última segunda-feira o Egito, maior importador mundial de trigo, comprou 235 mil toneladas do grão oriundo da Rússia e da Ucrânia.  Conforme a Autoridade Geral para Oferta de Grãos (GASC, na sigla em inglês), o produto foi adquirido a um preço médio de US$ 199,72 por tonelada através de leilão internacional realizado na última sexta-feira. A GASC comprou 60 mil  toneladas de trigo ucraniano e o restante do grão russo. Os embarques são  previstos para entre 1o e 11 de novembro.
Também na segunda, o USDA divulgou relatório semanal no qual indicou que  as inspeções de exportação norte-americana de trigo chegaram a 557.109 toneladas na semana encerrada no dia 01 de outubro. Na semana anterior, as inspeções de exportação de trigo haviam atingido 635.699 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado fora de 698.705 toneladas.
A fraca demanda pelo grão dos Estados Unidos foi um dos fatores baixistas aos preços do trigo em Chicago. Na última quinta-feira os contratos com  entrega em dezembro fecharam negociados a US$ 5,11 1/2 por bushel, com baixa de  5,25 centavos em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em dezembro fecharam negociados a US$ 5,19 por bushel, com ganho de 4,75 centavos  em relação ao fechamento anterior.