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Escolha da cultivar é fator determinante para a lucratividade da lavoura de soja

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O sucesso de uma lavoura começa com a escolha correta da cultivar a ser semeada. Para orientar esta decisão tão importante, a Fundação Pró-Sementes realiza, desde 2008, um trabalho de pesquisa denominado Ensaios de Cultivares em Rede (ECR), que avalia em diversos ambientes o comportamento dos principais materiais de soja e trigo em várias regiões produtoras do Brasil. 

No dia 20 de agosto de 2015, mais de 50 pessoas acompanharam a divulgação dos resultados dos ensaios da safra de soja 2014/2015, que aconteceu no Sindicato Rural de Passo Fundo (RS). Responsável pelo trabalho, o pesquisador Victor Sommer apresentou o desempenho de 76 cultivares de 10 obtentores em 21 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, em 30 ambientes distintos. Foram selecionados os materiais com maior expressão no mercado de cada região, sempre respeitando a indicação do Zoneamento Agrícola de risco climático. A pesquisa contemplou as principais cultivares com a tecnologia RR e INTACTA RR2 PRO®. 

O que chama a atenção, de acordo com o coordenador da unidade de cultivos de verão da Fundação Pró-Sementes, é a grande amplitude entre a produtividade da cultivar mais produtiva e a da menos produtiva. Em ensaio conduzido em Cruz Alta (RS), por exemplo, esta disparidade chegou a 45 sacos por hectare. “Esta diferença pode representar um significativo incremento na rentabilidade dos produtores”, reforça Victor Sommer. 

No Rio Grande do Sul, os ECRs de soja da safra 2014/2015 foram conduzidos em Bagé, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, São Gabriel, Cruz Alta, Não-Me-Toque, Passo Fundo, Santo Augusto, São Luiz Gonzaga e Vacaria. Na metade sul foram realizados ensaios em várzea e em coxilha. Além disso, em alguns locais do RS foram conduzidos ensaios em duas épocas de semenadura. Embora seja uma prática ainda pouco adotada pelos agricultores gaúchos, a safrinha de soja também foi contemplada no ECR da safra 2014/2015, em experimento realizado em Santo Augusto. No estado, o trabalho conta com o apoio financeiro do Sistema Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul). Além disso, a rede experimental da Fundação Pró-Sementes foi implantada em Campos Novos (SC), Pato Branco (PR), Guarapuava (PR), Campo Mourão (PR), Cascavel (PR), Palotina (PR), Cianorte (PR), Itapeva (SP), Cruzália (SP), Paranapanema (SP), Maracaju (MS) e Sidrolância (MS).

Com o objetivo de levar mais informações aos presentes, o evento contou, também, com a palestra “Análise e Perspectivas para o Mercado de Soja”, proferida pelo economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz. De acordo com ele, este é o momento de adotar as melhores práticas de produção. “Não é um ano de pensar em grandes ganhos, e sim de evitar grandes perdas”, afirmou o palestrante.

Sobre os Ensaios de Cultivares em Rede (ECR)

Desde 2008, a Fundação Pró-Sementes realiza ensaios com as cultivares de trigo e soja registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e indicadas pelo Zoneamento Agrícola de risco climático. Os experimentos são realizados em locais definidos, respeitando diferenças climáticas e de altitude, de acordo com o proposto no zoneamento. Todos os resultados dos Ensaios de Cultivares em Rede (ECR) estão disponíveis para consulta no site www.cultivares.com.br.

A finalidade dos ECRs é fornecer informações para nortear a tomada de decisão sobre a cultivar a ser semeada na safra seguinte, considerando as diferentes regiões produtoras. Os experimentos são implantados e conduzidos de maneira uniforme em todos os locais selecionados, oferecendo ao produtor rural e à assistência técnica informações idôneas das principais cultivares indicadas para cada região. São apresentados dados como rendimento em kg/ha e em sacos/ha, ciclo para floração e maturação, além da altura de planta de cada cultivar em cada local.

A safra de soja 2014/2015 marca o último ciclo de condução dos ECRs nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Esta decisão foi tomada pela direção da Fundação Pró-Sementes diante da ausência de suporte financeiro para a pesquisa nestes estados. O trabalho continuará sendo realizado no Rio Grande do Sul, onde o projeto conta com o apoio do Sistema Farsul.

Fonte: Assessoria de imprensa Fundação Pró-Sementes

Por Marianna Rebelatto

Fotos: Stéfanie Telles