Ex-ministros demonstram otimismo com agronegócio diante da crise

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Fórum reuniu grandes nomes para debater o setor primário nacional 

Grandes desafios no curto prazo, mas um horizonte de oportunidades para o futuro. Esse é o atual cenário do setor primário no Brasil, de acordo com três das maiores autoridades no assunto. Os ex-ministros da Agricultura Alysson Paolinelli, Francisco Turra e Roberto Rodrigues se reuniram na Expointer, esta quarta-feira (2), durante o Fórum Itinerante do Agronegócio Brasileiro.

Oferecendo um panorama do setor, o evento chegou à sua segunda edição tendo como principal tema a crise e seus reflexos no meio rural. E os painelistas foram unânimes em apontar que, embora esteja em uma posição privilegiada em relação ao restante da economia, o agronegócio sofre com gargalos que precisam ser destravados.

“Quando fui ministro, fiz uma alerta: os custos estão subindo, os preços estão caindo e a infraestrutura está com problemas”, avaliou Roberto Rodrigues, que comandou a pasta no governo Lula. “Dizia isso há onze anos e era chamado de pessimista. O tempo passou e isso segue igual. Então, cada vez mais, é preciso investir em produtividade, dando ao campo a competitividade necessária para avançar em outros mercados”.

Mesmo com as dificuldades que se repetem, Rodrigues destacou o avanço ocorrido ao longo na década passada: “As exportações avançaram muito. Isso porque investimos em tecnologia e enfrentamos as dificuldades que antes não enfrentávamos. Tecnologia e gestão têm sustentado o agro. Mas falta estrutura e uma estratégia consistente que permitam atender a demanda mundial”. 

Valor agregado e tecnologia

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra vê na sanidade um diferencial que o Brasil precisa perseguir diante do mercado global. “Hoje, no pior período da crise, temos exportado um valor recorde em aves e suínos. Mas só demos esse salto porque ocorreu uma crise sanitária lá fora, com 40 países enfrentando a gripe aviária – o que desabou as exportações desses locais. Por isso a importância de se investir na sanidade”, relatou o ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso.

Mesmo com os números em alta, Turra sugeriu que o setor pense mais em qualidade e menos em quantidade. “É necessário trabalhar, sobretudo no Rio Grande do Sul, com a agregação de valor. Precisamos de menos peso nos navios que vão para fora e mais dólar voltando para cá. Isso é essencial para gerar empregos e trazer moeda forte”.

Decano entre os participantes, Alysson Paolinelli esteve à frente do Ministério da Agricultura entre 1974 e 1979. Em sua exposição, apresentou um panorama histórico do setor – destacando os avanços ocorridos nos últimos cinquenta anos. Segundo ele, houve um retrocesso no investimento em ciência e tecnologia. “Ou chamamos a Embrapa, órgãos estaduais, universidades e instituições de pesquisas e recompomos o sistema que nos deu na década de 70 as condições para avançar, ou damos espaço para os concorrentes”, alertou.

Mesmo assim, Paolinelli juntou-se aos colegas para destacar o solo fértil sobre o qual o agronegócio brasileiro pode se desenvolver no futuro. “Não podemos perder um segundo sequer porque o mundo globalizado sabe que vai precisar das áreas tropicais para se desenvolver. E isso nós temos”, concluiu.

Na abertura do evento, estiveram presentes o vice-governador do Estado, José Paulo Cairoli, e o secretário estadual da Agricultura e da Pecuária, Ernani Polo.

 Fonte:  Critério