MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS PODE PROLONGAR A TECNOLOGIA DE INSETICIDAS

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Os números da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA) apontam que em países vizinhos ao Brasil há em torno de 150 pragas invasoras, sendo que dez delas podem entrar no País e causar prejuízos à agricultura. O produtor desinformado, por sua vez, pode potencializar o descontrole de outras pragas aplicando inseticidas de grande impacto no momento errado, desequilibrando totalmente o sistema agroecológico e criando resistência contra as poucas moléculas de inseticidas que atualmente são disponibilizadas no mercado.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) ajuda a equalizar este problema com técnicas como o pano de batida, armadilha luminosa, armadilha com feromônios, identificação de inimigos naturais, entre outras. A Embrapa sistematizou todas as formas de identificação e controle de pragas envolvidas nos principais sistemas de produção e resgatou o MIP, uma prática que estava em desuso devido à baixa pressão que as pragas vinham fazendo nas lavouras. É uma estratégia acertada resgatar

outras táticas de controle, como o cultural (indisponibilidade de alimentos para as pragas), o biológico (preservação de inimigos naturais) e o uso, sem causar danos aos inimigos naturais, para preservar essas poucas moléculas que temos disponíveis no mercado. Nos dias atuais o manejo de pragas não deveria ser mais realizado por cultura, talhão ou por propriedade rural, mas por sistema de produção.

As pragas têm um aspecto generalista, atacando diversas culturas em fases variadas. Hoje, com uma safra sendo desenvolvida próxima a outra, tem-se pragas atuando em uma lavoura por oito gerações. Pode acontecer de se perder uma molécula de inseticida em apenas um ano se os cuidados não forem tomados. Quando se aplica o inseticida de forma calendarizada, com ou sem pragas, pode-se posicionar o produto na hora errada, vindo a fazer falta em um momento de alto risco.

O Manejo Integrado de Pragas deve ser sistêmico. A disseminação do MIP entre os produtores é essencial para que eles percebam que os parasitas da lavoura podem ser controlados sem uso excessivo e desequilibrado de inseticidas. Sem assistência técnica adequada junto ao produtor, ele não vai identificar as pragas corretamente, vai gastar mais com inseticidas e comprometer todo o controle biológico da lavoura. Os produtores mais novos têm conhecimento sobre o MIP; os mais antigos não, e por isso é necessário lhes prestar esse serviço diretamente.

Fonte: Embrapa