Profissionalização da gestão garante lucro crescente

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O cenário atual requer racionalização de custos, excelência na operação e gestão profissional para produzir resultados de forma sustentável na atividade agrícola 

Ao chegar na Sementes Cambaí, em São Luiz Gonzaga, não é preciso muito tempo para perceber as obras em meio aos silos. Aqui, as ampliações são constantes. Na lavoura, os pivôs chamam atenção à distância. Dezessete grandes estruturas irrigam 1.000 hectares de terra. O cenário é de crescimento contínuo, mas não apenas na estrutura física. Depois de identificar a necessidade de crescer e evoluir também no modelo de gestão do seu negócio, o produtor de grãos e sementes e engenheiro agrônomo, Valdinei Donato, contratou uma empresa de consultoria em 2013, contrariando o pensamento restrito de que se o dono já é engenheiro agrônomo, pode dar conta sozinho. A partir daí, houve várias mudanças na operação, na equipe e nas ferramentas de gestão da propriedade que tornaram a empresa mais profissional e a colocaram em um novo nível de performance.  

Todo verão, os 2200 hectares ficam cobertos de milho e soja e, no inverno, de trigo e aveia. A instabilidade climática da região e a necessidade de produzir sementes de qualidade estimularam a busca por soluções para reduzir o impacto dessa variável. Com um nível diferenciado de informação, não foi difícil investir e acertar a irrigação. Ela é peça-chave nos anos de pouca chuva, mas também dá resultado nos demais períodos. Ter a informação correta e assessoria proporcionou maior acerto em todas as decisões da propriedade. 

“O melhor resultado está sendo visualizar de forma individualizada cada uma de nossas atividades – semente, lavoura e transporte – e, com isso, tomar melhores decisões para cada atividade buscando o resultado em cada uma. Anteriormente, isso estava em um único negócio, o que dificultava a visualização de cada um”, acrescenta Donato. 

Na era da informação, não falta material sobre cada área. A questão é conseguir tudo o que é necessário para cada propriedade, cada momento e cada problema apresentado. O hábito de confiar exclusivamente na experiência, sem o conjunto correto de informações, foi abandonado. Seu Donato, de onde estiver, está sempre munido de informações para tomar a decisão correta, na hora certa. Pela internet, ele acompanha um programa de gestão que mostra, em dados, tudo o que acontece na propriedade.  

Donato tinha interesse em fazer isso antes, mas não encontrava tempo. Ele se lembra de quantas vezes tinha que parar tudo e sair para comprar a peça de uma máquina ou um produto que tinha faltado. Hoje, como estruturou um modelo de gestão mais profissional, ele tem condições para avaliar a melhor decisão para a propriedade e dar maior atenção às oportunidades de comercialização. Isso porque não basta trabalhar pela produtividade, mas perder dinheiro na gestão de custos ou no preço de venda. “Se fosse uma indústria, que toda semana produz, quando ocorre um erro, corrige rápido e pode não perder tanto. Mas o produtor, quando erra, pode perder uma safra, o trabalho de um ano todo. Ele aprende na dor. A proposta é antecipar soluções, até para os problemas novos, isso com uma visão sistêmica e a tomada de decisão na hora certa”, Adalberto Coimbra, Diretor de Negócios do Grupo Agros. 

 Consultoria e colaboradores focados no resultado 

Grande parte da profissionalização teve foco na gestão de pessoas. A consultoria dá todo suporte técnico e gerencia os colaboradores para que todos estejam alinhados à estratégia do proprietário. 

Enquanto um engenheiro agrônomo monitora o desenvolvimento da cultura, verifica a execução das ações planejadas e cruza dados da análise de solo e da estação meteorológica da fazenda para fazer correções com taxas variáveis, outra equipe cuida do gerenciamento, faz reuniões com os funcionários, para manter todos motivados e com o melhor desempenho.

Entender o “como fazer” e o “quem fazer” fez toda a diferença. O “como fazer” está relacionado com o conhecimento. Problemas recorrentes na propriedade podem ser solucionados com mudança de rotinas, chamadas de “processos” na área de gestão. Os processos adequados garantem menos desperdício de tempo e dinheiro, diminuem o retrabalho e impactam no resultado final.

O “quem fazer” está ligado à correta seleção, desenvolvimento e retenção de profissionais. Cada colaborador deve ter a consciência suficiente, motivação e disciplina para atingir o que foi planejado. Na Cambaí, houve mudanças na equipe e a importante contratação de uma gerente que, entre outras atividades, desenvolve as pessoas e apoia nas demandas mais complexas.

“Com certeza, ocorreram muitas mudanças na propriedade. A principal, talvez, na qualificação da equipe. Ter as pessoas certas no lugar certo, ao meu ver, muda completamente o resultado. Antes, não tínhamos essa percepção, e nem a qualificação para selecionar essas pessoas. Com as pessoas e ferramentas corretas, nos sentimos mais tranquilos, ficando com mais tempo para atuar em outras atividades”, afirma Donato.

Hoje, a propriedade também conta com um sistema de premiação por resultados, o que gera uma motivação extra para o trabalho.

“O empresário precisa hoje estar com os olhos para fora da empresa e ter na mão os números de todos os negócios para decidir melhor. Para ter uma noção do tamanho do detalhamento, todas as notas precisam discriminar a qual negócio pertence o custo. A equipe conversa muito, discute, e é focada, competente. Eles se sentem parte do negócio. O conhecimento é compartilhado. Todos têm liberdade de questionar para atingir o melhor resultado”, acrescenta a gerente Márcia Pinzon.

Com suporte da consultoria, direcionando e qualificando, todos estão mais focados e com desejo pelo crescimento contínuo.

“Para entender a importância da profissionalização da gestão, comparo com o caso de uma pessoa que diz às outras que a sua saúde está perfeita. Mas, precisaria ir ao médico e fazer exames para ter tanta certeza. A visão de um especialista é muito mais apurada para indicar mudanças ou tratamento. Assim, se dá com o aprimoramento da gestão. No cenário anterior que o Brasil vivia, algumas deficiências passavam despercebidas. Hoje, com aumento de preços, aumento do dólar, tem que buscar ganho na redução de custo (usando menos ou com preço menor), aumento de eficiência operacional e produtividade”, encerra Coimbra.

Foto: Arquivo Agro1

 Texto:

Liliane Martins Telles 

Assessoria Agro1