Trigo: 10 novas cultivares no mercado

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A indicação técnica de 10 novas cultivares de trigo foi resultado da 8ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e 9º Seminário Técnico do Trigo, que aconteceu de 5 a 7 de agosto, em Canela, RS, reunindo mais de 400 participantes. Outras novidades devem impactar a área de fitossanidade dos cultivos de inverno, com a indicação de defensivos e resultados de pesquisa em manejo de doenças.

A abertura do evento com o pesquisador Robert Graf (Agriculture & Agri-Food Canada), falando da construção da identidade e qualidade do trigo canadense, orientou todas as discussões do encontro. O grupo de especialistas avaliou como urgente a padronização de critérios para certificar a qualidade do trigo brasileiro, com ensaios uniformes de todas as cultivares, definição de critérios únicos de coleta e análise de amostras, divulgação dos resultados da qualidade por região e cultivares, entre outros. O processo de organização evoluiria até o cenário futuro de criação de um serviço ou órgão responsável pela avaliação das cultivares brasileiras, para parâmetros agronômicos, resistência a doenças e indicadores de qualidade, a exemplo do que já acontece no Uruguai, Chile e Canadá.

 

Cultivares

A subcomissão de Melhoramento, aptidão industrial e sementes aprovou a indicação de 10 novas cultivares de trigo (Embrapa 2, Iapar 1, Coodetec 3, Biotrigo 2 e DNA 2) e a extensão de outras três (Embrapa 2 e OR Sementes 1):

 

Doenças

O trabalho do pesquisador da Epamig, Maurício Coelho, avaliou a incidência de brusone em 14 genótipos de trigo em duas épocas de semeadura. A pesquisa mostrou que a incidência de brusone no trigo semeado em março variou de 60 a 89%, enquanto que na semeadura de maio, a brusone atacou no máximo 14% das espigas.  O rendimento na primeira época também foi, em média, 60% menor. “Os experimentos mostram que, nas condições ambientais de Minas Gerais, onde predomina o clima tropical, a brusone afeta muito o PH e o rendimento de grãos no trigo irrigado nas semeaduras do cedo, entre março e abril”, explicou Maurício Coelho.

Apesar da aprovação de um novo fungicida para ferrugem da folha (Authority), as discussões da fitopatologia (área da ciência que estuda as doenças de plantas) estiveram voltadas para as micotoxinas, substâncias tóxicas produzidas por fungos que atacam os grãos. “A legislação está se tornando cada vez mais restritiva quanto à presença de micotoxinas nos alimentos. A preocupação é tanto com relação às adversidades do clima sub-tropical, quanto à realização de testes para verificar os níveis de contaminantes, que são caros e demorados para análise de grande número de amostras”, explica a pesquisadora da Embrapa Trigo Casiane Tibola. Nos encaminhamentos do grupo que participou da subcomissão de fitossanidade a proposta é utilizar os ensaios cooperativos para avaliação de fungicidas, também para avaliar a contaminação por micotoxinas. (Fonte: Embrapa/Trigo).