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Tecnologia: Drones a serviço das lavouras

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Foto: Flávio Ubiali/Embrapa 
Foto: Flávio Ubiali/Embrapa 

Além da alta tecnologia dos novos cultivares que são lançados a todo ano pelas empresas de pesquisa e desenvolvimento de sementes, cada vez mais resistentes, tanto ao tempo, quanto às pragas que atacam as lavouras, a agricultura conta, agora, com mais um aliado tecnológico. A utilização dos veículos aéreos não tripulados (vants), também conhecidos como ‘drones’, está auxiliando os produtores rurais no aumento da produtividade, o que também acarreta em mais renda, principalmente porque a área cultivada é sempre a mesma. O desafio, portanto, é produzir mais e com mais qualidade, sempre de olho nas imagens apresentadas pelos aparelhos.

 Redução de custo

 A ideia da utilização dos drones para o monitoramento das lavouras surgiu, segundo Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador e articulador de cooperação internacional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embraba Instrumentação), do município de São Carlos, interior do estado de São Paulo, para que o trabalho trouxesse resultados mais positivos, principalmente na agricultura de precisão. “Sua aplicação na área agrícola e em missões de reconhecimento vem sendo favorecida e facilitada pelo atual estágio de desenvolvimento tecnológico, principalmente pela redução do custo e do tamanho dos equipamentos”, conta Jorge.

 Processamento de imagens

 Com relação ao tipo de monitoramento que é possível fazer com a utilização dos equipamentos, Jorge afirma, por exemplo, que as imagens ajudam os produtores a visualizarem uma falha no plantio, alterações no dossel, variando resoluções de centímetros a metros, dependendo da altura do voo e da lente utilizada na hora da captação das imagens. “Uma vez obtidas as imagens, elas podem ser processadas individualmente, com o objetivo de reconhecer falhas graves de plantio que ainda permitem correção, como, por exemplo, as falhas na linha de plantio da cana-de-açúcar, superiores a 50 centímetros”. Em muitos casos de análises das imagens dos drones, devido à alta resolução, invariavelmente, pode-se acompanhar o crescimento das plantas no campo, o que permite os estudos de fenotipagem.

 Combinações

 As imagens no espectro visível funcionam como o ‘olho do agricultor’. Algumas respostas com relação a estresse nutricional, indicadores fisiológicos e estrutura do dossel são mais bem verificadas nas imagens em que é utilizado o equipamento infravermelho. “Um índice de vegetação, uma combinação aritmética entre duas ou mais bandas que evidencia algum componente de interesse. As imagens multiespectrais têm permitido desenvolver índices que são associados a diversas propriedades fisiológicas da vegetação, como vigor e estresse hídrico”, revela o pesquisador.

 Evolução

 No começo da década de 1990, desenvolveram-se os primeiros trabalhos com os sensores hiperespectrais, cujas imagens demonstraram em poucos anos, uma vasta potencialidade de aplicações, assim como numerosas vantagens sobre os sensores multiespectrais convencionais. Se, por um lado, o sensor multiespectral é capaz de dividir o espetro eletromagnético em poucas bandas ou proporções espectrais, os sensores hiperespectrais, por sua vez, são capazes de registrar centenas de bandas contínuas por meio de diversas dimensões do espectro eletromagnético. “Isso permite contar com uma curva detalhada do comportamento espectral de área monitorada, possibilitando sua identificação e sua discriminação com grande precisão”.

 Custos e abrangência

 Jorge informa que os custos para a utilização dos drones na agricultura dependem do tipo de aeronave e do tipo de sensor que serão utilizados para o monitoramento das áreas. “Isso pode variar de R$ 10 mil a R$ 200 mil. Deve-se definir a aplicação para depois configurar a aeronave que melhor corresponda a ela. Quanto à operação, o custo é simplesmente a manutenção da aeronave”.

 O tamanho da área que um drone consegue monitorar varia de acordo com o tamanho de cada aparelho. Um ‘vant’ de mão pode chegar a 600 metros de altitude e tem alcance de uma área de dois quilômetros. Os drones de curto alcance podem atingir até 1.500 metros de altitude e abranger uma área de até 10 quilômetros. “A procura pelo serviço é crescente, mas, ainda existe muita falta de informação para a elaboração dos sistemas, de forma a bem atender os agricultores”.

 Cursos obrigatórios

 Para que possam ter acesso a essa tecnologia, Jorge informa que os agricultores preferencialmente entrem em contato com a Embrapa. “Nós orientamos o agricultor para a melhor configuração, de acordo com sua aplicação. Qualquer pessoa pode ser habilitada a operar um drone. É imprescindível que os cursos de operação, manutenção e noções de voo sejam realizados. A Embrapa oferece os cursos”.