Azeite de oliva: Maior produção nacional é gaúcha

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Com dez hectares plantados de oliveiras, o médico Pedro Dirceu dos Santos, de Bagé/RS, aposta em um mercado que começa a ser mais fortemente explorado no Rio Grande do Sul, a olivicultura. Prestes a se aposentar nos atendimentos, ele diz que irá se dedicar à produção e espera boa lucratividade a partir da venda de azeite de oliva. Após observar o bom crescimento dos primeiros hectares, a intenção é usar mais trinta hectares com a planta. “Vejo como um bom negócio tanto em lucratividade quanto em rendimento, além de haver facilidade de investimento. Hoje, importamos quase a totalidade do azeite consumido no Brasil, então temos um comércio potencial a ser aberto, além de bons compradores”, diz. Ele ainda afirma estar com boas expectativas para o futuro. “Outros produtores me disseram que tem sido grande a busca pelo azeite de nossa região, que é de boa qualidade. Eles já são procurados por compradores no próprio local de produção”, comenta.

Com a área total plantada, Pedro Dirceu espera uma produção de 56 mil litros de óleo. “Uma árvore produz 25 quilos de grãos. Destes, são obtidos cinco quilos de azeite, ou cinco litros por pé. Em um hectare, são 280 árvores, o que significa 1,4 mil litros por hectare. Nos meus 40 hectares serão 56 mil litros”, explica.

RS poderia atender toda demanda interna

A olivicultura no Rio Grande do Sul já ocupa 1.200 hectares (Fonte: Emater), e é o estado brasileiro que contabiliza a maior produção. São 100 propriedades rurais que estão diversificando sua matriz produtiva. Levando em conta que o Brasil importa anualmente 70.000 toneladas de azeite e produz menos de 1%, seria necessário, ao menos, 50.000 ha em produção para atingir a autossuficiência. Anualmente, o país despende cerca de US$ 400 milhões em produtos advindos da olivicultura. Porém, especialistas afirmam que o estado tem condições de produzir toda a demanda interna.  

Produção

Hoje, existe produção de azeitonas na Serra da Mantiqueira (MG e SP) e na Serra Catarinense. A zona preferencial para o cultivo na América do Sul encontra-se entre os paralelos 30 e 45 Sul.

No RS, a concentração de produção está nas regiões Central e Campanha, onde se destacam os municípios de Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul, Pinheiro Machado, Santana do Livramento e Encruzilhada do Sul.  “A visão de empresários locais, que vislumbraram a olivicultura como excelente alternativa de renda e emprego, favoreceram para o crescimento dos cultivos nas zonas produtoras aliadas aos programas públicos de fomento como, por exemplo, Programa Brasil Próximo/Olivais do Pampa. Esses empresários instalaram agroindústrias de extração de azeite em suas propriedades o que serviu também de fomento à produção. A partir do zoneamento Climático e Edafoclimático, publicados pela Embrapa, delimitou-se as zonas recomendadas e preferenciais para o cultivo no RS. Nem todas as áreas têm aptidão agrícola para o cultivo”, informa o engenheiro agrônomo e mestre em olivicultura, Emerson Goulart Menezes, que também é coordenador técnico do Programa Brasil Próximo/Olivais do Pampa e secretário do Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Bagé (RS).

Área cultivada no RS: : 1.189 há

Volume em 2014: 28.000 litros

– Na maioria médio produtor

– Corresponde a menos de 1% do consumo total

– Os maiores consumidores estão localizados no Sudeste brasileiro onde existe a maior densidade populacional e a maior renda per capta.

Consumo direto

A produção do Estado é destinada, em parte, para o consumo interno (restaurantes, mercados públicos, vendas online, boutiques). Mas o grande volume vai para as grandes redes de supermercados (Pão de açúcar, Zaffari e Walmart).

“Como o produto final obtido é azeite extra virgem, de elevado valor comercial, o objetivo é consumo direto. As indústrias se interessam por outros produtos e subprodutos da olivicultura”, diz Menezes.

Ainda segundo o especialista, a comercialização está muito boa, sendo que os estoques de produto não chegam a durar o ano, em função da pouca oferta e grande demanda.

Os azeites produzidos no RS têm sido premiados em concursos nacionais e internacionais.

Preço

O preço é regido pela lei da oferta e procura e também pelas oscilações dos mercados internacionais (Bolsas de Jaen (ESP) e Bari (ITA)). “Claro que, se formos comparar os preços encontrados nas prateleiras de supermercados com os praticados nas nossas agroindústrias, os nossos são bem mais elevados. Mas isso tem explicação em função de se tratar de produto novo recentemente colhido (safra 2014), produto genuíno, autêntico e Fiscalizado pelo MAPA”, revela Menezes.

Isso significa que o produto não possui adição de qualquer outra gordura vegetal e de elevada qualidade em função da presença de polifenóis (antioxidantes naturais) em função da colheita ser realizada no melhor momento.

Segundo pesquisas publicadas em 2013, muitos dos azeites comercializados no país, na sua maioria importados ditos “Extra Virgens”, na verdade se constituem misturas de azeites ou de classificação inferior à presente na etiqueta, ou seja, fraudes.

Futuro

Para o coordenador técnico do Programa Brasil Próximo/Olivais do Pampa, a expectativa é que no RS o aumento seja linear, uma vez que o Plano Safra do Governo Federal já disponibiliza aos produtores linhas de crédito específicas para a olivicultura, com dez anos para pagar e três anos de carência. Segundo ele, a meta do governo é redução da importação em 30% nos próximos quatro anos e aumento na área plantada em 1.000 ha/ano.

O produtor está satisfeito?

 “Creio que sim, hoje o produtor tem acesso a crédito específico, assistência técnica qualificada (Prefeituras/Emater) em cursos no exterior, inclusive. Têm acesso às cultivares melhores adaptadas e tem um grande mercado consumidor a ser explorado, apesar do baixíssimo consumo per capta (0,200 kg). São grandes as perspectivas de ganhos em função da alta rentabilidade/área e possibilidade de integração com pecuária (ovinocultura)”.

Produção

Para uma boa produção é necessário aliar condições climáticas (chuvas e frio), condições de solo (profundidade e textura) e cultivares (base genética) adequados.

A metade Sul do RS tem potencial para grande parte da produção nacional, aliando à alta qualidade dos produtos obtidos. Diferentemente de outras épocas, hoje, os novos olivais estão sendo introduzidos com as mais elevadas tecnologias, as mesmas adotadas em países como Itália e Espanha.

Toda a tecnologia de extração almeja a obtenção de Azeite Extra Virgem de elevada qualidade. Hoje existem TRÊS indústrias instaladas, até o final do ano serão CINCO, todas importadas da Itália.