Brusone do trigo é identificada em lavouras no Noroeste do RS

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Fungo se dispersa através do vento e pode atacar mais de 50 espécies de Poaceas.
Fungo se dispersa através do vento e pode atacar mais de 50 espécies de Poaceas.

No mês de setembro, a Embrapa Trigo foi procurada por produtores e cooperativas do RS e SC para a identificação de doenças de espiga nas lavouras. Além da conhecida giberela, o clima quente e úmido trouxe a brusone, problema até então frequente apenas no Brasil Central, Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No momento, uma equipe está realizando um levantamento de campos de trigo apresentando sintomas de doença, nas diferentes regiões produtoras, para avaliar a dispersão da brusone no trigo.

Epidemias de brusone acontecem em anos chuvosos, quando a alta umidade e temperaturas entre 25 e 28ºC coincidem com a fase de espigamento do trigo, causando queda no rendimento em função dos grãos deformados e de baixo peso específico. Este cenário é típico de regiões de trigo no Centro-Oeste (GO e MG), no Norte do Paraná, no Mato Grosso do Sul e no São Paulo. Nas regiões mais frias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a brusone ocorre, eventualmente, em microclimas mais favoráveis, sem causar danos significativos. Os primeiros registros nesta safra foram na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, onde as lavouras estavam mais adiantadas.

Apesar de causadas por patógenos diferentes, giberela (Gibberella zeae) e brusone (Magnaporthe oryzae) possuem muitas semelhanças: ambas são causadas por fungos que atacam as espigas, sob condições de clima úmido e quente; não existem cultivares  totalmente resistentes; e os fungicidas em uso têm demonstrado baixa eficiência no controle. Todos os fatores listados contribuem para a dificuldade de diagnóstico e controle destas doenças.

Giberela ou Brusone?

No site da Embrapa Trigo (www.embrapa.br/trigo) está disponível a publicação “Giberela ou brusone? Orientações para a identificação correta dessas enfermidades em trigo e em cevada”. O documento pode ajudar a assistência técnica no diagnóstico mais preciso da doença na lavoura.

Uma das orientações para fazer a distinção, é que o fungo da brusone ataca a ráquis, ficando restrito nas proximidades do ponto de infecção, impedindo o enchimento dos grãos acima do local de penetração do patógeno. No caso de giberela, observa-se o progresso da cor escura na ráquis em direção à parte inferior da espiga.

Controle

A brusone do trigo é uma doença restrita às lavouras da América do Sul, onde conta com um grande número de hospedeiros do fungo que se dispersa através do vento e pode atacar mais de 50 espécies de Poaceas.

Neste ano, a doença já tinha sido identificada em lavouras de aveia e azevém do RS no começo da safra de inverno, nos meses de abril e maio, o que contribuiu para a formação do inóculo. Na cultura do trigo, períodos de alta umidade relativa e temperaturas altas coincidindo com a fase do espigamento favoreceram a ocorrência de brusone. Uma das características desta doença é variação de intensidade entre lavouras, devido a diferenças de época de semeadura ou ainda condições climáticas muito específicas da localização da lavoura.

No momento, a Embrapa Trigo está conduzindo uma série de ações subsidiadas por dois macro projetos de pesquisa: “Variação genética e de virulência de Magnaporthe oryzae do trigo e de poáceas invasoras” e“Estratégias integradas de caracterização da resistência de trigo à brusone”. Além da seleção genética, a pesquisa busca alternativas mais eficientes de controle químico, estratégias de manejo da cultura, controle de hospedeiros, entre outros.

No controle químico, os trabalhos realizados indicaram que os fungicidas com maior eficiência para controlar a doença foram aqueles formulados com a mistura de estrobilurina + triazol, quando aplicados duas vezes, no início do espigamento e cerca de 15 dias depois. Ainda assim, os produtos em uso têm demostrado baixa eficiência no controle. Mais informações sobre o controle químico de giberela e de brusone na série de publicações “Eficiência de fungicidas para o controle da brusone do trigo: resultados dos ensaios cooperativos”.  

Uma ferramenta de avaliação de risco de ocorrência de epidemias denominada SISALERT foi desenvolvida pela Embrapa Trigo juntamente com a Universidade de Passo Fundo. O SISALERT é uma plataforma que coleta dados meteorológicos observados e de prognóstico de curto prazo para simular tanto o risco de epidemias de brusone como o de giberela. Conhecer, de forma antecipada, o risco de ocorrência das epidemias pode auxiliar a tomada de decisão sobre o uso de fungicidas. O acesso é gratuito através do sitewww.sisalert.com.br.