Soja: Pesquisa busca planta resistente à seca

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Diminuição de perdas em períodos de estiagem é o foco da Embrapa

Desde o ano de 2004, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Japan International Research Center for Agricultural Sciences (Jircas), empresa de pesquisa vinculada ao governo japonês, desenvolvem pesquisas com soja transgênica tolerante à seca. Vários genes estão sendo testados nesta parceira, entre eles o AREB, DREB 1 e DREB2 (Dehydration Responsive Element Binding Protein ou Proteína de Resposta à Desidratação Celular). São várias as estratégias de engenharia genética desenvolvidas pela Embrapa Soja. “Trata-se de gens que fortalecem a estrutura da célula quando esta começa a perder água, protegendo estruturas, membranas e proteínas, fazendo com que a planta consiga suportar um pouco mais a situação de estiagem”, esclarece o pesquisador, Alexandre Nepomuceno.

Segundo ele, recentemente, uma seca ocorrida no noroeste do Paraná, que teve duração de 50 dias, resultou numa perda de 40% da soja. “Se eu tiver uma estratégia de engenharia genética que diminua essa perda, já é interessante. É disso que estamos falando: maiores chances de redução de perdas. Não estamos “desenvolvendo um cactos”. É uma planta que vai tolerar um pouco mais a falta de água, mas que precisará da utilização de táticas de manejo específicas, pois não se trata de mágica”, ressalta o pesquisador.

Para testes de comprovação da tecnologia, os genes foram introduzidos em uma cultivar de soja brasileira que é sensível à seca.  Já foram realizados testes em laboratório, em casa de vegetação (estufas) e em campo. No entanto, não há previsão de quando a tecnologia chegará ao mercado. O grupo é o único do Brasil que está testando no campo, em condições reais o que, para a ciência, é um bom indicativo. “Para chegar ao produtor, este tipo de tecnologia depende da intensidade de recursos disponibilizados e, principalmente, de “cérebros””, disse.

Ao ser comprovada a resistência à seca, as plantas serão levadas de Londrina/PR, onde hoje estão em campo, para regiões Norte e Sul do Brasil. Se produzirem resultados semelhantes aos que já estão sendo obtidos hoje, será dado andamento aos estudos de biossegurança para, então, submissão à Comissão Técnica de Biossegurança.