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Safrinha: Reforço de caixa

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Mesmo com a possibilidade de risco, apostar no período anterior ao plantio de inverno pode trazer bons lucros ao produtor

Apesar de a safrinha ser mais tradicional no Paraná e região Centro-Oeste do país, muitos produtores gaúchos têm aproveitado o período entressafras para buscar uma renda a mais, através de suas lavouras. Na região de Passo Fundo/RS, a aposta é na safrinha após o milho, plantado em setembro e colhido em meados de fevereiro a março. Em seguida, a terra fica descoberta, já que as culturas de inverno (trigo, aveia branca, canola, centeio e cevada) são implantadas em maio ou junho, o que significa três meses de lavoura ociosa.

“Neste período, para reforçar o caixa, os agricultores têm procurado plantar outra cultura de importância econômica”, disse o engenheiro agrônomo da Emater/Ascar, Cláudio Dóro. Entre as opções mais utilizadas estão o milho sobre milho (maioria para silagem), a soja, o feijão, o sorgo e, até mesmo, o girassol.

Girassol é opção para safrinha.
Girassol é opção para safrinha.

Porém, conforme o agrônomo, o plantio nesta época é de alto risco e costuma ser feito com cautela pelo produtor. A fase final costuma ser a mais preocupante já que, logo, as plantas poderão enfrentar invernos precoces ou geadas antecipadas, correndo o risco de todo o investimento ser perdido. “Para a safrinha, não há financiamento e está fora do zoneamento agropecuário, ou seja, ela é feita com recursos próprios”, ressalta Dóro.

Planejamento para garantir rentabilidade

O produtor rural de Carazinho, Glênio Guimarães, costume investir na safrinha, porém, somente após um bom planejamento. “É preciso, sempre, estar atento ao mercado e às previsões climáticas, entre outros fatores de risco. A partir disso, fazemos a escolha da melhor cultura para safrinha. A decisão é tomada bem próximo ao momento do plantio”, conta. Para Guimarães, a safrinha é uma oportunidade a mais de comercialização garantida, já que há tempo de a lavoura ficar pronta no intervalo em que estaria descoberta.

Neste ano, as terras do produtor receberam soja na entressafra. Antes disso, ele optou pelo girassol, por três anos seguidos. O feijão também já foi utilizado no período. “O lucro da soja é mais garantido. Não é tão grande quanto o girassol, mas é certo”, comenta. Para Glênio, o plantio de girassol valeu o investimento porém, como houve muitas chuvas na hora da colheita da última safra, acabou sofrendo perdas. Mesmo assim, ele ressalta que sempre vai buscar uma cultura alternativa para a safrinha. “A terra é muito cara para deixar sem plantar em cima, fazendo somente cobertura”, comentou.

Ainda segundo Cláudio Dóro, o girassol é uma cultura que não teve bom crescimento na região, apesar de possuir vários incentivos e mercado comprador. Os problemas encontrados, atualmente, são referentes à baixa produtividade e com a tecnologia. Mesmo assim, o seu plantio na safrinha é recomendado. “Apesar das resistências culturais, técnicas e de tecnologia, é ótimo para o solo. Até mesmo para a rotação de culturas. Pode não deixar lucro direto mas, indiretamente, deixa benefícios no aumento da produtividade para as culturas que vêm em seguida”, disse.