Fruticultura: Vacaria das delícias e dos bons resultados

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Setor da maçã emprega mais de 14 mil pessoas, além de outros 10 mil temporários em época de colheita

Trezentas mil toneladas de maçã deverão ser colhidas na safra de 2014, na cidade de Vacaria/RS. A estimativa, da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçãs (AGAPOMI), confirma a liderança da cidade como maior produtora brasileira e exportadora da fruta, já que o número é maior que a metade do que é esperado para todo o estado: 530 mil toneladas. Vacaria é responsável um quarto do total de maçãs produzidas em todo o país.

A fruticultura é a principal atividade econômica da cidade, com cerca de 14 mil empregados no setor da maçã. Conforme o engenheiro agrônomo, secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente, Eduardo Pagot, todos os anos Vacaria fica em segundo lugar em todo o país na criação de empregos, devido à contratação de mão de obra para a colheita da fruta. A estimativa é de que são criados em torno de 10 mil empregos temporários no período de safra. “São trabalhadores oriundos de diversos municípios do estado do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, entre outros, além de pessoas vindas da Argentina”.

Conforme Pagot, a maçã em Vacaria passa por um bom momento e a tendência é de manutenção da área ou, talvez, uma pequena expansão. “O que está continuamente acontecendo, e foi o que transformou Vacaria no maior produtor brasileiro e exportador da fruta, é a reconversão/renovação constante de pomares com cultivares de alto padrão de qualidade, bem como o uso de alta tecnologia no manejo dos pomares”.

Cidade também é destaque na produção de pequenas frutas

O município de Vacaria é considerado o principal polo de produção das chamadas pequenas frutas, grupo formado, principalmente, pelo morango, mirtilo, framboesa e amora-preta.  A cadeia das pequenas frutas da região dos Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul possui sua base de produção na agricultura familiar, na qual se concentra os pomares e a produção dessas espécies.

Panorama da produção:

Morango

De acordo com o secretário de Agricultura, o morango tem um mercado muito dinâmico com variações de preços ao longo do ano, de acordo com a oferta. Em função do crescimento do cultivo de variedades reflorescentes, que produzem praticamente durante todo o ano, e a expansão dessas cultivares para regiões tradicionais de produção do sudeste brasileiro, a oferta de produto tem sido mais regular, o que de certa forma também estabiliza os preços. “O morango gaúcho e, principalmente, da região dos Campos de Cima da Serra tem se destacado pela sua qualidade e apresentação no mercado. Em Vacaria, destaca-se a introdução de novas tecnologias de produção, como o cultivo semi-hidropônico e, ainda, o cultivo em solo em túnel alto, que estão promovendo aumento na produtividade e a produção de frutas de melhor qualidade ao mercado”, disse Pagot.

Amora-preta

O momento é positivo para a amora-preta, já que o mercado de frutas para indústria tem apresentado um consistente crescimento, que favorece o aumento dos preços pagos aos produtores.  Ao mesmo tempo houve uma diminuição no volume de frutas produzido na região dos Campos de Cima da Serra nos últimos anos, em função da redução da área cultivada e, também, pela diminuição de produtividade das últimas safras, ocasionada por problemas climáticos e o declínio de produtividade nos pomares mais velhos. “No momento, é notada a iniciativa de muitos produtores em revitalizar e renovar os pomares, bem como investir em aumento de área, considerando os resultados e perspectivas de renda que a produção da amora está apresentando”.

Framboesa

Por se tratar de uma cultura mais delicada e mais exigente em mão de obra e manejo, a framboesa passa por um momento de estabilidade, sem perspectivas de aumento de área, pelo menos por enquanto. Nos últimos anos, devido à forte concorrência da framboesa importada do Chile, seu preço sofreu uma leve queda, mas ainda se mantém rentável, principalmente para os produtores que efetuam o congelamento e ampliam a possibilidade de comercialização ao longo do ano.

Mirtilo

O mirtilo, assim como a framboesa, mantém-se sem expansão de área, mas a produção vem crescendo no município devido à entrada em produção de pomares jovens. O mercado vem apresentando uma significativa melhora, devido ao lançamento de diversos produtos processados com essa fruta e a divulgação maior de suas qualidades funcionais.  O mercado da fruta “in natura” requer maior organização da logística e transporte por parte dos produtores, mas já apresenta iniciativas promissoras na região.

Produtores

Apesar do recente insucesso na formação de uma cooperativa por parte dos produtores, a APPEFRUTAS – Associação dos Produtores de Pequenas Frutas, continua seu trabalho na coordenação da coleta, transporte e comercialização conjunta da produção.  “O projeto de implantação de uma grande central de congelamento de frutas, inicialmente pensado pelos produtores e apoiadores do setor, foi interrompido em função de dificuldades enfrentadas na disponibilização de um terreno e na construção de prédio para abrigar esse empreendimento. É preciso ressaltar também, que o grupo não estava preparado para administrar uma agroindústria do porte projetado inicialmente”, esclarece Pagot. O secretário ainda conta que, durante inúmeras reuniões para discussão em torno da gestão do empreendimento idealizado, os produtores chegaram à conclusão que é mais oportuno e viável o investimento em pequenos empreendimentos nos núcleos da APPEFRUTAS, próximo as propriedades dos produtores, que dessa forma conseguem com sua mão de obra familiar fazer todo o processo de  recepção, congelamento, classificação, processamento e embalagem das pequenas frutas, sem a necessidade de contratação de mão de obra para  realizar as atividades ou gerenciamento do processo. 

A ideia de descentralização já conquistou adeptos junto aos membros da Associação, sendo que vários grupos já implementaram pequenas unidades de congelamento, processamento e armazenagem de frutas congeladas financiadas pelo PRONAF, já operando nessa safra 2013/2014. “Complementando essa ideia da descentralização, os associados da APPEFRUTAS, em assembleia geral, estão propondo a utilização dos equipamentos adquiridos pela Prefeitura Municipal de Vacaria para os grupos dos núcleos da associação. Esses equipamentos foram adquiridos com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA e agora servirão para desenvolver as atividades de agregação de renda nos pequenos empreendimentos familiares que estão surgindo nos núcleos de APPPEFRUTAS, nas comunidades rurais”, relata.

Estruturação

A cadeia das pequenas frutas no município e região passou por diversas fases: expansão de área e da produção, crise com retração de preço e redução de produção e, mais recentemente, o alcance de certa estabilidade.

Inicia-se agora uma “fase estruturante”, na qual a organização das unidades produtoras, visando qualificar, processar e agregar valor à produção serão fundamentais para a continuidade e o sucesso dessa atividade, que transformou a agricultura familiar da região.  “Os produtores de pequenas frutas estão investindo de forma mais consistente na sua propriedade, na comunidade, no seu núcleo de produção, visando criar as condições adequadas e necessárias para produzir, armazenar, processar e comercializar o seu produto obtendo segurança e agregando renda”, declara o secretário.