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CESA: Medidas buscam reduzir dívida de R$ 178 milhões

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Ações de recuperação incluem redução em folha salarial  e gastos com energia

Em processo de reestruturação, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) vem se recuperando financeiramente nos últimos três anos. A atual administração herdou uma dívida de R$ 178,2 milhões. O objetivo é promover medidas para aumentar a receita e reduzir o passivo. Em 2011, o recredenciamento junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) possibilitou elevar o faturamento: hoje a Conab é a principal cliente, responsável por cerca de 60 % da armazenagem total da Companhia.

Entre as ações de recuperação está a redução de aproximadamente R$ 4 milhões na folha de pessoal e R$ 1,5 milhão de gastos com energia que, entre outros fatores, permitiram a saída  de déficit operacional de R$ 4,6 milhões em 2010 e passar a lucro anual de cerca R$ 3,5 milhões em 2013.

Aumento de ocupação das filiais

Além disso, para aumentar receitas, a Cesa tenta acessar novos mercados e ampliar o nível de ocupação das filiais. As unidades de Palmeira das Missões e Lagoa Vermelha são um exemplo. Em 2010, ambas eram deficitárias. Hoje, após passarem por readequações estruturais e ambientais, voltaram a receber grãos e começam a dar lucro.

O trabalho surte efeito e, com exceção da unidade de São Luiz Gonzaga, a qual comporta 83 mil toneladas e está com a metade ocupada, unidades como as de Santo Ângelo, Santa Rosa, Cruz Alta e Júlio de Castilhos estão com sua lotação máxima.

Trigo ocupa maior parte do espaço

Conforme o presidente da Cesa, Márcio Pilger, grande parte do produto é o trigo, graças à política de incentivo adotada pelo Governo do Estado, que foi lançada durante a Expointer 2013. A Cesa hoje conta com 192 mil toneladas de trigo espalhadas em suas unidades.

Tentativas de vendas frustradas

Na atual gestão, houve duas tentativas de vendas de unidades – que, por diversos fatores, inclusive, a falta de condições estruturais, não estão em funcionamento – através de um processo amplamente divulgado de concorrência pública. Ambas frustradas. As unidades eram em Palmeira das Missões, Santa Bárbara do Sul, Nova Prata, Passo Fundo e Estação. Destas, Palmeira voltou a operar. As outras se encontram desativadas e sem condições de operar.

Passo Fundo: área inútil para operações

Conforme Pilger, uma atenção especial vem sendo dada à área de Passo Fundo, unidade que, por sua baixa capacidade de armazenagem (apenas 7 mil toneladas e localização imprópria para operação, pois está no centro da cidade), se tornou uma área inútil para operações de armazenagem. “Estamos buscando novas alternativas de venda ou de utilização da área pelo Estado”.

Sinais de recuperação

 Pilger destaca que a Cesa é um desafio. O qual foi muito maior no início, quando todos os números eram desfavoráveis a qualquer empresa, seja ela pública ou privada. “Hoje, através de uma ruptura de um sistema de gestão despreocupado com a “coisa pública” e que achava que o Estado podia arcar com tudo, um novo sistema de gestão foi implantado e, agora, mostra sinais de recuperação. Isso devido a uma gestão comprometida com a legislação, comprometida em sanar suas dívidas e discutir amiúde cada centavo a ser pago. Hoje, essa empresa, que tem mais de 60 anos, se reapresenta a sociedade com um caráter de diálogo, transparência e compromisso”.

Presidente da Cesa, Márcio Pilger. (Crédito: Vilmar da Rosa)
Presidente da Cesa, Márcio Pilger. (Crédito: Vilmar da Rosa)

Já o atual secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Cláudio Fioreze, salienta que a Cesa hoje é outra empresa. Para ele, a partir da orientação do ex-secretário, Luiz Fernando Mainardi, e da firme condução do ex-presidente da Cesa, Jerônimo de Oliveira, os problemas estruturais da empresa passaram a ser enfrentados com determinação. “Resultaram disso, três anos de lucro operacional face à maior ocupação de sua capacidade de armazenagem e uma gestão corajosa. Enfrentamos as dívidas e os drenos intermináveis nas áreas fiscal e, principalmente, trabalhista e previdenciária”, afirma Fioreze.

Otimista, o secretário da Agricultura afirma que os exemplos positivos são inúmeros. Segundo ele, o protagonismo foi recuperado em importantes cadeias, como a do arroz, através do Porto de Rio Grande, onde estão sendo escoados recordes históricos para ajustar o mercado e enfrentar a maior crise de preços da orizicultura, ocorrida em 2011. Assim também está acontecendo no trigo, a Cesa vem tendo papel importante no enxugamento da maior safra da história.

Projetos estratégicos

Atualmente, a gestão da Cesa pensa em projetos estratégicos, como o terminal arrozeiro de Rio Grande, a possibilidade da construção de um Terminal Intermodal (ecopátio) na unidade de Capão do Leão e a modernização tecnológica de unidades estratégicas. “Ainda resta muito a fazer, mas hoje a Cesa tem rumo e não pode mais ser considerada um ralo sem fim, a serviço de outros interesses que não os dos agricultores e/ou das cadeias produtivas do Estado”, defende Fioreze.  

CESA HOJE:

Das 602 mil toneladas disponíveis – em 18 unidades ativas – a estocagem é de 243,7 mil toneladas, quantidade referente a 40% da capacidade total. E a receita mensal é de, em média, R$ 2,4 milhões.